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LEO IV - ÚLTIMA RESERVA DE AR - CAPÍTULO 12

                              CAPÍTULO XII – ÚLTIMA RESERVA DE AR
                                 

                           A campainha tocou três vezes e só aí Leo percebeu que o pai não estava em casa para atender à porta. Desceu e foi atender. Era Gilda. Ele ficou olhando para ela sem saber como agir, tal foi sua surpresa.
- Posso entrar? – ela perguntou, percebendo sua confusão.
- Meu pai... saiu, ele disse, ainda surpreso ao vê-la, mas tentando parecer frio e tranquilo.
- Eu não quero falar com seu pai. Quero falar com você mesmo.
- Falar o quê? Eu não tenho nada pra falar...
- Me deixe entrar, Leo, por favor!
   Ele abriu passagem para ela e Gilda entrou, com medo de cada passo. Fazia muito tempo que não entrava naquela casa. Leo fechou a porta e encostou-se nela, intimamente notando como ela estava mais bonita, depois que se casou e se tornou mãe. Gilda voltou-se e viu seu olhar propositalmente indiferente que dificultava o início da conversa.
- Eu... estou esperando há um bom tempo aí fora que seu pai saísse... Queria falar com você a sós.
- Não fica bem pra uma mulher casada vir falar com um homem solteiro em plena luz do dia. O que vão pensar de você?
- Também não fica bem pra mim que um homem solteiro pegue meu filho nos braços no meio da rua, em plena luz do dia e o beije como se fosse seu, constrangendo minha mãe e a deixando muito nervosa, você não acha?
   Ele não respondeu. Passou por ela, deu alguns passos até o meio da sala e acendeu um cigarro. Gilda continuou:
- Vim te pedir... pacientemente... pra nos deixar em paz, a mim, ao meu marido e ao meu filho.
   Leo olhou para ela, jogou a fumaça no ar e respondeu:
- Eu não ando invadindo a sua casa. Já não é mais... divertido.
- Mas abordou minha mãe e meu filho na rua...
- Abordei? Eu abordei sua mãe e... seu filho? A dona Júlia contou também que eu a amarrei num poste e a ameacei com um revólver na cabeça, e se ela não me deixasse segurar o “seu filho”, eu a mataria?
- Pare com isso, Leo. Você sabe muito bem do que eu estou...
- Pare com isso você, Gilda Marques!  Se eu machuquei o garoto, me diga, e eu me ajoelho aqui nos seus pés e peço desculpas!
- Não, claro que não machucou! Me deixe falar, por favor!
   Ele calou-se de novo, tragando o cigarro, impaciente.
- Leo, vamos aceitar a derrota. Não dá mais para voltar atrás! Nós não podemos ter mais nada um com o outro e não podemos ficar nos magoando assim! O Bruno é pequeno agora, mas ele vai crescer e vai começar a entender que eu e o Haroldo vivemos numa guerra armada contra você e você conosco. Ele vai querer saber o motivo e eu não vou poder explicar! Pelo amor de Deus, entenda! O Bruno reconhece o Haroldo como pai dele. Você vai confundir a cabeça do meu filho!
- Nosso filho...! – ele sussurrou.
   Leo olhou-a fixamente nos olhos, impassível. Gilda baixou os olhos.
- Era só isso que você tinha pra dizer?
- Você não vai mais se aproximar do Bruno, vai?
- Vou.
- Leo...
- Vou sim. Fique você lá com seu maridinho amado e viva bem feliz com ele, tenha outros filhos, se quiser, mas o Bruno nunca vai deixar de ser meu. Eu não vou desistir dele como tive que desistir de você. Eu avisei, não avisei?
- E vai ganhar o que com isso?
- O que eu vou ganhar? – ele perguntou, sorrindo, jogando o cigarro longe. – Ora, dona Gilda, como mãe a senhora não devia me fazer essa pergunta. O que foi que você sentiu quando o Bruno te chamou de mãe pela primeira vez? Qual foi a sensação de ter visto seu filho dar o primeiro passo pra começar a andar, ahn? Como você se sente quando ele ri pra você, quando ele te abraça, quando ele te beija... ou mesmo quando ele dorme no seu colo enquanto você o amamenta, hein? Não sente nada? Você não ganha nada? O que uma mãe ganha cada vez que vê o filho sorrir pra ela, tocar na mão dela, pedir seu colo, beijá-la, hein?
   Gilda não respondeu. Os olhos dela já estavam cheios de lágrimas.
- Naquele dia... eu vi que o Bruno tem tudo a ver comigo. Ele é a mistura exata de nós dois. Abraçar ele foi... ah, meu Deus, foi como... vir à tona da água depois de ficar dois anos sem ar. Agora você não pode me tirar a única reserva de ar que eu tenho pra viver. Eu estou respirando agora porque o Bruno existe, Gilda. Nem você me mantém vivo mais...
- Não fale assim...
- E você quer que eu fale como? Eu tentei morrer por você, mas nem isso eu consegui. Tem alguma coisa tentando me manter vivo por algum motivo, mas agora não tem mais nada a ver com você. Eu não quero mais nada com você... mas meu filho não tem culpa disso. Eu vou vê-lo sempre que puder e você não vai me impedir disso... a menos que se mude de cidade. E mesmo assim... se você se mudar pro inferno com ele... eu vou atrás de vocês dois... Você me fez o favor de me deixar pertinho de lá.
   Gilda viu que não tinha mais o que dizer. Virou as costas e foi para a porta, saindo.
   Leo teve vontade de chamá-la de volta, pois seu peito doía muito, por ter tido que dizer tudo aquilo, mas não o fez. Encostou-se na porta e fechou os olhos.
- Gilda...


                                    LEO IV – CAPÍTULO 12
                                  “ÚLTIMA RESERVA DE AR”
                             OBRIGADA, SENHOR, POR TUDO!
                     PELA PIEDADE, PELO AMOR E PELAS BÊNÇÃOS!
                                  CONTINUE NOS PROTEGENDO
                            COM SEU ESCUDO DE MISERICÓRDIA!
                                    BOA TARDE E OBRIGADA!

Velucy
Enviado por Velucy em 09/07/2020
Código do texto: T7000853
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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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