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LEO V - BRINQUEDO CARO - CAPÍTULO 2

                            CAPÍTULO II – BRINQUEDO CARO
                                   
                                Para evitar mais aborrecimentos, Gilda não contou a ninguém sobre o laço de amizade que unia Leo ao filho. Tinha medo que Haroldo tomasse uma atitude mais extrema. Mas ele acabou descobrindo sobre as visitas de Leo à creche pela servente da escola, quando foi buscar Bruno numa tarde em que havia saído mais cedo da oficina. A mulher conhecia Leo e se preocupava com a segurança do menino.
   Muito zangado, Haroldo foi falar com Gilda.
- Eu já sabia... ela teve que confessar.
- O quê? Sabia? E por que não me contou? - ele disse, colocando o menino no chão.
- Eu não quis te aborrecer.
- Não quis me aborrecer?! E como você acha que eu estou me sentindo agora?
   Ela sentou-se numa cadeira da mesa da cozinha.
- Eu encontrei isso na lancheira do Bruno, disse ele, colocando sobre a mesa diante dela um carrinho de pilhas de um modelo muito caro.
- É só um brinquedo, Haroldo...
- De um tipo que eu não posso comprar! Ele está enchendo o menino de presentes caros pra provar que eu não posso sustentá-lo! Até onde vai isso, Gilda?
   Ela pressionou as têmporas com as pontas dos dedos e não soube o que dizer.
- Vou tirar o Bruno dessa creche!
- Não! Você não pode!
- Posso! Eu pago, não pago? Lá ele não pisa mais.
   Haroldo saiu da cozinha, nervoso. Gilda começou a chorar baixinho. Bruno tinha ouvido a voz alterada de Haroldo e entrou na cozinha, indo para junto da mãe.
- Não vou mais pra escolinha, mamãe?
  Ela o abraçou e não conseguiu responder.

   Quando soube que Bruno não frequentava mais a escola, Leo não perdeu tempo. Foi até a oficina falar com Haroldo. Nem pediu licença para entrar no escritório. Apenas entrou e interrompeu a conversa que ele e Gomes estavam tendo.
- Quero falar com você.
- Leo! – surpreendeu-se Haroldo.
  Leo olhou para Gomes que sentiu que estava demais ali e saiu. Já conhecia o temperamento do rapaz e não queria confusão.
- Coloque o Bruno de novo na escola.
- Quem é você pra me pra entrar aqui desse jeito e me dar ordens?
- Você sabe muito bem quem eu sou. Você vai colocá-lo outra vez na escola ou eu acabo com essa espelunca aqui!
- Isso é uma ameaça? Outra ameaça?
- E você sabe que eu cumpro.
- Eu não quero que o Bruno te veja mais! Não quero você dando presentes pro meu filho.
   Leo riu.
- Seu filho? Ele é tão seu filho quanto a Gilda é sua mulher. É um direito meu dar presentes pra ele!
- Você ainda não percebeu que não tem mais direito nenhum sobre ele há muito tempo! Admita isso, Leo. O seu laço de sangue com aquele menino não lhe dá nenhum direito a mais. Eu sou legalmente o pai dele agora! Interiorize isso de uma vez. Você vai sofrer menos.
   Leo fechou os punhos e desferiu um soco no rosto de Haroldo que caiu, mas levantou-se rapidamente e reagiu. Investiu também e partiu para a briga.
   Gomes e outros funcionários apareceram logo para separá-los e o fizeram com muito custo. Leo foi colocado para fora da oficina com o rosto sangrando, mas gritava:
- Eu volto! Cachorro!
  Entrou em seu carro com a mão no rosto, pois o nariz doía muito. Foi para a casa de Tiago que o ajudou a cuidar dos ferimentos.
- Você enlouqueceu, homem? Entrar na oficina do cara para obrigá-lo a colocar o próprio filho de volta na escola? – perguntou Tiago rindo, enquanto lhe fazia um curativo no maxilar.
- Meu filho, você quer dizer... O Bruno é meu filho. Ai, dói, Tiago! Cuidado!
- Desculpe!
- Só não dei mais naquele cretino porque apareceram mais dez pra ajudá-lo! Acho que quebrei meu nariz... Você está colocando o curativo no lugar errado, cara!
- Não, não quebrou não. Teu queixo está sangrando, mas também não quebrou não. ! Você é duro de quebrar, esqueceu? Para de se mexer!
   Leo ficou quieto. Tiago terminou o curativo e falou:
- Pronto! Devidamente remendado... pela enésima vez...
  O rapaz apoiou o rosto nas mãos e fechou os olhos por causa da dor, testando a mobilidade do queixo.
- Maldito!
- Vou te falar também pela enésima vez: acaba com isso, Leo! Você já tem vinte e seis anos! Chega de aventura! Já devia estar casado e com outros filhos...
 - Aventura!? O que você chama de aventura, eu chamo de minha vida. Como é que eu vou ver o Bruno agora?
   Ele apalpou o nariz e perguntou:
- Jura que não quebrou? Dói muito...
   Tiago riu.
- Não, mas pelo menos te deixou mais vivo! De volta o Leo Torres de antes. Você estava calminho demais.
  Leo bufou. Tiago ria dele.

                               LEO V – CAPÍTULO 2
                                “BRINQUEDO CARO”
                      OBRIGADA, SENHOR, POR TUDO!
             PELA PIEDADE, PELO AMOR E PELAS BÊNÇÃOS!
                           CONTINUE NOS PROTEGENDO
                  COM SEU ESCUDO DE MISERICÓRDIA!
                             BOA TARDE E OBRIGADA!

Velucy
Enviado por Velucy em 10/07/2020
Código do texto: T7001875
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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