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LEO V - INCÊNDIO - CAPÍTULO 6

                               CAPÍTULO VI – INCÊNDIO

                                     Quando a notícia da chegada no novo herdeiro do casal Marques se espalhou pela cidade, Leo voltou a beber e caiu novamente num estado de depressão que nem mesmo Tiago conseguia acalmar.
- Leo, vamos sair da cidade novamente. Eu vou ter quinze dias de férias no cartório e a gente viaja pra Belo Horizonte. Vamos nós três, eu, você e a minha garota. Eu tenho parentes lá... Vamos fica longe por um tempo?
- Não, ele disse, com o quarto copo de uísque na mão. – Eu vou matar o Haroldo...
- Não fala bobagem, homem!
- Agora é ele ou eu, Tiago... Ele ou eu, como já devia ter sido há muito tempo, se eu tivesse conseguido matar ele, da outra vez. Ele finalmente conseguiu engravidar minha Gilda... Ela é minha... Só minha... Aquele... maricas... não podia... Não podia...
   Uma lágrima rolou pelo canto do olho dele.

   Uma semana depois, Haroldo acordou com batidas fortes na porta e correu para atender, imaginando que seria Leo outra vez. Não era. Era um amigo que morava ao lado da oficina.
- O que foi, Chico?
- Fogo na oficina, Haroldo! Começou agora! Corre!
   O rapaz não perdeu tempo. Vestiu-se rapidamente e, depois de pedir a Gilda para ligar para os bombeiros, correu para lá.
  Já havia muitas pessoas tentando apagar o fogo e muitos curiosos também em volta. Haroldo quis entrar para pegar os extintores de incêndio, mas as chamas dificultavam sua passagem. Conseguiu pegar apenas um que estava mais próximo da porta.
   No meio de todo desespero de tentar apagar o fogo, ele viu um corpo caído no chão do escritório. Com o extintor, foi abrindo caminho e reconheceu Leo.
  Foi até ele e tentou desesperadamente puxá-lo para fora, pedindo socorro.
  Com muito custo, tiraram o rapaz para fora da oficina e, na calçada, Haroldo ergueu o corpo desacordado do amigo para fazê-lo voltar a si.
- Leo, respira! Reage, cara. Acorda!
   Deu tapas no rosto do rapaz que foi voltando a si, tossindo muito.
- Graças a Deus! – Haroldo exclamou.
   Leo abriu os olhos e olhou para ele.
- Haroldo...
- Está tudo bem, fique calmo. Só respira.
- Me perdoa...! Me perdoa...
   Tonto pela fumaça, Leo voltou a desmaiar. Haroldo abraçou o amigo, chorando. Foi então que viu algo brilhante pendendo na mão de Leo. Abriu-a para ver o que era. Era a correntinha de Bruno que o menino dizia ter dado a um amigo na escola e ninguém havia descoberto quem era. Pendurada nela havia uma medalha de ouro com o nome do menino gravado. Ele não quis pegá-la. Colocou no bolso da camisa de Leo e não disse a ninguém que a tinha visto.

  O fogo na oficina foi apagado rapidamente com a ajuda dos bombeiros e alguma coisa ainda pôde ser salva. Antes de ir para casa, logo de manhã, Haroldo foi ver Leo no hospital. Havia dois policiais na porta do quarto, pois Gomes havia dado queixa do rapaz por incêndio criminoso.
   O rapaz estava sentado na cama, recostado num travesseiro, quando Haroldo entrou no quarto.
- Está tudo bem com você? – Haroldo perguntou.
- Você não devia estar aqui querendo saber disso, disse Leo, sem nenhuma hostilidade na voz.
- Você podia ter morrido queimado lá, Leo. O que você quis fazer agora? Se matar?
   Leo baixou os olhos e não respondeu. Haroldo aproximou-se dele.
- A polícia abriu inquérito contra você. O Gomes não vai e nem pode deixar isso barato... e eu não posso fazer nada dessa vez. Sou sócio dele. Tenho dinheiro empatado naquela oficina e não dá pra defender você só por ser... seu amigo.
- Você ainda é meu... amigo?
- Sou... Mesmo que você não acredite. Mesmo que me considere um traidor... Eu nunca deixei de ser seu amigo. Não quero que você acabe na prisão por minha causa, Leo.
- Eu não vou...
- Eu vou ter que falar com o Gomes... Explico toda a situação e acho que ele vai entender. Afinal de contas... você quase morreu lá dentro... e ninguém mais se feriu.
   Leo sorriu.
- Você não existe, Haroldo...
 Haroldo sorriu também.
- Acho que não mesmo...
   Leo colocou a mão no bolso da camisa e tirou dele a correntinha de Bruno e estendeu a ele.
- Toma...
   Haroldo ficou olhando para a jóia em sua mão, mas não a pegou.
- Por quê?
- Estava na minha mão ontem. Nem sei como veio parar no meu bolso... Alguém deve ter colocado aqui...
  Haroldo não disse nada sobre o fato de ter sido ele a pessoa que havia feito isso, mas também não pegou a corrente.
- Pega, cara! É do seu filho! Ele me deu num dos nossos encontros, só porque eu disse que era bonita. O garoto é generoso como eu nunca fui. Eu achei lindo ele dizer as letras do nome dele uma por uma, sem errar: B R U N O... M A R Q U E S. Bruno Marques. O nome dele é Bruno Marques. Ele é muito inteligente... E é seu filho.
   Os olhos de Haroldo se encheram de água, mas ele ainda não se moveu para pegar a corrente que Leo lhe estendia. Leo pegou sua mão e a colocou dentro dela.
 - Eu fui até a oficina pra colocar na sua mesa... mas não tive coragem de me separar dela... por isso toquei fogo em tudo.
   Ele enxugou o rosto e pediu:
- Cuida bem dele, tá? Cuida dele tão bem quanto você vai cuidar da sua filha...
- Leo...
- Eu já falei pra sua mulher... mas gostaria que você colocasse o nome de Cristina nela. Significaria muito pra mim. Ela tinha que ser minha... mas é sua e... esse nome é muito importante pra mim.
- Será Cristina... se você quer assim...
- Eu não quero nada... Só quero que você a faça muito, muito feliz. As duas... E me perdoe... por tudo...
   Haroldo não conseguia dizer mais nada.
- Agora dá o fora, vai. Sai daqui. Se conseguir... esquece que eu existo.


                                    LEO V – CAPÍTULO 6
                                           “INCÊNDIO”
                             OBRIGADA, SENHOR, POR TUDO!
                    PELA PIEDADE, PELO AMOR E PELAS BÊNÇÃOS!
                                 CONTINUE NOS PROTEGENDO
                         COM SEU ESCUDO DE MISERICÓRDIA!
                                    BOA TARDE E OBRIGADA!
Velucy
Enviado por Velucy em 12/07/2020
Código do texto: T7003762
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Sobre a autora
Velucy
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