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LEONEL IX - BEIJO - CAPÍTULO 9

                                    CAPÍTULO IX – BEIJO

         - Nós nunca estivemos nessa casa juntos, Floyd. Por que de novo?
- Estivemos sim. Não falo da gente Leonel Marques e Teodoro Fontes Júnior... Você sabe do que eu estou falando. Falo de Leo Torres e Haroldo Marques... quando ainda era amigos... lembra?
- Por que isso agora?
- Estou falando... que eu voltei pra essa casa... onde vivi uma vida tentando guardar dentro de mim um sentimento que eu não podia expor... pra ninguém, nem pra você...
- Esse assunto já está mais do que resolvido, cara. Por que voltar nisso?
- Eu tenho que voltar nisso. Preciso só... desabafar tudo que ficou preso dentro de Haroldo Marques a vida dele inteira. Me deixa só lembrar do meu passado um pouquinho. Eu estou no cenário perfeito pra isso. Eu passei anos na minha vida pajeando Leo Torres como melhor amigo dele. Eu o vi sofrer com a indiferença do pai; eu vi o nascimento da paixão dele pela Gilda, a garota que morava aí na casa ao lado. A casa do doutor Alcântara, pai dela; eu assisti ele berrar feito um maluco por ela durante uma bebedeira e quase ser preso por isso depois; eu fui ameaçado de morte por ele se tentasse chegar perto dela, pois ele já sabia que Gilda seria sua. Assisti... nessa mesma sala, ao primeiro beijo dos dois e ele se orgulhar extasiado do fato de que ela estava se apaixonando por ele.
   Floyd fez uma pausa para respirar e conter a emoção.
- Foi a minha primeira decepção. Eu comecei a perceber que você estava realmente se afastando de mim de vez. Vocês estavam fadados a ficar juntos... e eu sozinho de novo. Aconteceu tanta coisa depois... A tentativa do pai da Gilda de afastá-la de você e ela sendo mandada para Valinhos... Mas ela voltou de lá grávida de você... contrariando todos os cuidados dos pais dela. A ideia desesperada do doutor Alcântara de casá-la comigo pra esconder o escândalo... Seu desespero pela iminência de perdê-la justamente para mim...  Sua revolta... tentando me matar pra evitar isso...
   Leonel sentou-se no sofá, também emocionado com aquelas recordações.
- Contrariando todas as expectativas... eu me casei com a mulher que você amava... e criei seu filho... E tive que tentar me esquecer de você aos poucos. Agora eu tinha a Gilda pra cuidar e o Bruno, que se tornou na minha maior alegria... meu filho querido... E eu consegui matar você dentro de mim por amor à Gilda. Eu precisava amá-la mais do que amava você. Ela não merecia sofrer mais do que já tinha sofrido até ali. De alguma forma, ela se apaixonou por mim depois de seis anos de casamento e... me deu uma filha linda... Minha Cristina. A morte de Leo Torres acontecendo de forma brutal... e eu perdendo você de novo. Nunca consegui te dizer o que eu sentia e nem podia... Leo Torres teria me matado de verdade se soubesse disso.
- Eu acho que ele sabia... Ele abusava da sua bondade porque sabia disso. Outro erro grave de Leo Torres. Ele se divertia às suas custas por saber que você o amava, mas precisava de você por perto. Só era... machista demais pra aceitar.
- Será?
- Tenho certeza. Olhando as coisas por outro prisma, agora eu consigo ver isso com mais clareza. Ele te amava também.
   Floyd sorriu. Leonel se aproximou mais dele e tocou sua mão pousada sobre o encosto do sofá.
- Perdão... Esse preconceito idiota quase me afastou de você de novo nessa vida.
   Lentamente, Floyd aproximou o rosto do dele e ficou um instante olhando em seus olhos. Leonel não se afastou e sustentou seu olhar. A ansiedade do que podia acontecer depois não o permitia se mover. Queria testar seus limites.
   Os lábios de Floyd encostaram-se aos de Leonel que fechou os olhos e não sentiu vontade de rejeitar o beijo. Muito pelo contrário, contrariando tudo que ele acreditava ser certo, trêmulo pela novidade que aquilo significava, correspondeu.
   Caio estava no alto da escada e assistiu ao beijo, mas afastou-se rapidamente e escondeu-se para que eles não o vissem. Começou a chorar e voltou ao quarto, trancando-se lá.



                        LEONEL (REENCARNAÇÃO) XI – CAPÍTULO 9
                                                  “BEIJO”
                                  OBRIGADA, SENHOR, POR TUDO!
                    FAZEI DE MIM UM INSTRUMENTO DE VOSSA PAZ!
                         NÃO PERMITA QUE EU ME APARTE DE VÓS
                                         BOA TARDE E OBRIGADA
Velucy
Enviado por Velucy em 08/09/2020
Código do texto: T7058064
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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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