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Quando O Sino Toca

Eu precisei de um bom tempo para entender o que se passava, não dizia nada para não perder o detalhe mais importante o por quê. Após incontáveis noites e de uma aparente tristeza o que me parecia dor em verdade era prisão.

Obter para si é a palavra certa. Uma vez ouvi uma frase que continuava: pode-se conquistar muitas guerras à força, mas nunca o coração de uma mulher. Ao assimilar para mim compreendi que não era um conquistador e sim um tirano mal intencionado. Ser reconhecido como um herói Aquiles ou Hércules não seria por este caminho, de metal e pedra com grande dose de maestria.

Que inocência a minha.

Ao passar dos anos com a minha "prisioneira" recebi muitas provas de amor, ela dizia: tudo que é meu agora pertence a você. Eu repudiava a ação tomando o cuidado para não repreende-la e continuava: tudo isto eu faço. E nada de me alegrar com as suas juras de amor. Não me fortalecia e eu ainda me sentia seco e sem vida.

Um belo dia de verão soltei suas correntes. Ela não tinha mais nada que pudesse dar e já tinha obtido o que necessitava. Ela permaneceu ali em silêncio nos primeiros meses e nunca ia embora.

Sem sentir nada por ela ignorei suas ações e o tempo passou.

Cuidou das minhas coisas e organizou meus afazeres. Que coisa estranha! Eu pensava. Já devo ter escutado algum termo que exemplifica isto. Ignorei isto também.

Ela se calou e as noites se tornaram silenciosas. Não havia juras ou arrependimento. Não me desejava a morte.

O tempo passou...

Eu era o prisioneiro.

VVM
Enviado por VVM em 10/01/2021
Reeditado em 10/01/2021
Código do texto: T7156573
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
VVM
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 26 anos
16 textos (90 leituras)
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