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                                                 VII

Jacira chega à mansão. Está desolada. Assim que a vê, Marcos corre ao seu encontro.
 
_Mulher, você não sabe o que acabei de passar.
 
_O que foi, meu filho? Parece que viu assombração!
 
_Se é assombração eu não sei, mas que a coisa pegou, pegou; se eu não tivesse entrado no meio, o jovem Médici poderia agora estar atrás das grades.
 
_COMO ASSIM? – apavora-se. _ O QUE ACONTECEU COM MEU MOLEQUE? ONDE ELE ESTÁ?
 
_Acalme-se! Consegui segurar aquele doido.
 
Marcos conta-lhe toda a história, para a indignação da mulher.
 
_Pois aquela fulaninha chamou meu moleque de veado? Perdeu a noção do perigo? Tô passada, Suzicreide!
 
_Não só chamou, como provou.
 
_Provou como? Pegou-o com a boca na botija, se é que me entende?
 
_Sei não! Deu a eles algumas folhas, mas não consegui ver direito, parecia ser muito pornográfico, do jeito como ele ficou. Será que ele puxou para o pai? Você sabe, né, a coisa ali não é bem o que parece... Aquela Coca é Fanta!
 
_Mas como você é fuxiquento, né, Marcos? Com essa cara de coitado e essa fala de anjo, consegue enganar todo mundo. Que língua ferina, deve ser irmão do Basílio8, só pode. Toma vergonha nesta cara! Levantar falso testemunho contra alguém é muito grave, além de ser crime. E se ele o ouve dizendo essas coisas, como provará?  Quem acabará na cadeia será você!
 
_Credo, Jacira! Eu... eu...
                         
_Eu... eu... eu nada! Tô por aqui com o senhor – corre a mão pela fronte-, seu Marcos.  Para maldar a vida dos outros é mestre, mas vai ver o serviço que faz, é de uma porquice sem fim. Só conferir os carros, estão empesteados de poeira.
 
_E desde quando é minha patroa?

_Desde agora! Por quê? – empina a cabeça, põe a mão na cintura e dá uma reboladinha._ Vai encarar, Suzicreide? Não, né? Só é homem para falar mal dos outros e pelas costas! Pois agora chispa daqui, não tô mais a fim de prosear com um tipo feito você. Chispa!
 
Marcos engole a saliva com dificuldade. Estava diante de uma mulher de estatura mediana, mas com uma mão que mais parecia uma tábua. Bastasse um só golpe para que ele fosse à lona.
 
_Onde já se viu uma coisa dessas? Para o trabalho é uma tartaruga, para falar da vida dos outros é uma lebre. Hum! – esbraveja, enquanto ele desaparece de suas vistas.
 
Apesar da intriga, Jacira sabia, as insinuações do chofer tinham coerência e isso a amedrontava. Mesmo cansada da viagem, sai à procura do moleque, que está no quarto, recolhido à sua dor.
 
_O que faz nessa escuridão? Pois vamos levantando dessa cama, o dia ainda não acabou – ordena, acendendo a luz.
 
_Apague... apague Jacira! Quero ficar sozinho.
 
_ E por quê?
 
Não responde.
 
_O que você aprontou agora, moleque? - corre os olhos pela mesa avariada e pelo computador desconectado e dá um longo suspiro. _ É bom que fale, porque se eu souber pelos outros, a coisa vai ferver. E pelo que já me falaram, a coisa não é das boas, não é Suzicreide?
 
_E o que lhe disseram? – teme, recordando-se do dossiê.
 
_ Não interessa! Quero ouvir de sua boca, pois desembuche! Aliás, belo amigo é o senhor, deixando-me sozinha naquele hospital, na companhia daquela mulher sem eira nem beira. Esqueceu-se até do celular – diz, devolvendo-o.
 
_Você não gosta mesmo dela. Incrível!
 
_Não! – é categórica.
 
_ Me desculpe, não foi por querer, hospitais ainda me trazem muita dor. Quando me lembro de minha mãe e do quanto ela sofreu nas duas vezes em que esteve internada, sofro demais.
 
Jacira se compadece, a ponto de esquecer por um momento a história dele com Anna.
 
_Moleque, moleque, como você mexe comigo. Não posso vê-lo triste que já me acabo. Fique assim não, tem de ser forte. Aliás, terá de ser forte.
 
_Por que diz isso? – estranha.
 
_ Sabe que sou curta e grossa, então vou direto aos fatos: seu pai piorou muito!
 
_Não acredito! Você está mentindo! – pula da cama. _ Ele morreu? É isso?
 
_Que morreu nada, sente aí e deixe de falar besteira.
 
Conta-lhe tudo.
 
_ A situação está brava, o homem, me desculpe o palavreado, está com um pé na cova e o outro quase lá.
 
_Mas como isso aconteceu? Ele...ele parecia estável!
 
_Pois é isso que está me intrigando – lembra-se de Márcia ao lado de Leonardo-, mas ainda não posso falar, temo incorrer a falso testemunho, como fez um sujeitinho com quem quebrei o pau agora há pouco.
 
_De quem está falando? – faz-se de desentendido.
 
_Deixe de me fazer de boba, moleque! Quando estiver melhor, voltaremos a conversar. E agora cale a boca também, hoje estou soltando fogo pelas ventas.
 
_Preciso ver meu pai... não sei, estou confuso! Muito confuso – vira-se para o criado-mudo -, cadê meus remédios? Acho que deixei aqui! Vou surtar se não tomar algo!
 
_Estou aqui para o que precisar, você sabe!
 
_Obrigado, Jacira, mas de verdade, não estou bem, preciso falar com minha tia, ela saberá o que fazer para me ajudar. Talvez aumente a dose de um dos antidepressivos.
 
_Só se for por cima do meu cadáver que falará com aquela cobra sem asa. Nem pensar! E quanto aos remédios, sei não! Vive mais chapado que lúcido, sem contar que é um tal de misturar medicamento com bebida, que nunca vi na vida, daqui a pouco terá um piripaque também, né, Suzicreide?
 
_ Já não sei mais de nada...
 
_Vista uma roupa limpa, coma alguma coisa, que vou pedir ao língua solta do Marcos que o leve ao hospital, sei que as lembranças são doloridas, mas fazer o quê? A vida não nos dá outra alternativa.
 
Ricardo corre para os braços dela como uma criança à sua mãe. Está tão confuso e machucado que se entrega a um choro de causar pena. Também emocionada, Jacira enche os olhos de lágrimas.
 
_Isso vai passar, é apenas uma fase! Agora levante a cabeça, vamos enfrentar tudo o que vier com a coragem e a certeza de que seremos os vencedores. Estamos juntos nessa e todas as outras que surgirem, lembre-se disso! – diz, limpando as lágrimas dele.
 
_Obrigado, Jacira!
 
_ Será possível, Suzicreide? – indaga a si mesma, olhando-o se afastar. _ Um homem desses, veado como o pai? Não sei nem como começar este assunto. Por que aquele chofer atrevido foi me encher a cabeça? Na certa não tinha mesmo o que fazer. Miserável de uma figa!
 
A São Paulo do dia adormece com os derradeiros raios solares e uma outra, exuberante, de uma essência que vicia, de um brilho que hipnotiza, resplandece no horizonte e, como deusa, desfila pela imaginação capitalista, fazendo morada nas almas mais ingênuas.
 
Mas nem tudo são flores como recitam os poetas contemporâneos, porque a cidade, apesar de belíssima, está à beira de perder a lucidez com o trânsito caótico, a população aglomerada nos pontos de ônibus e o frio intenso que não perdoa os mais pobres, que na ausência do poder público, escondem-se às colunas dos viadutos, à porta das lojas com cobertores embolorados ou debaixo dos bancos das milhares de praças. O cenário contrastante parece não incomodar o mototáxi, que num zigue-zague de causar enjoo, brinca com os veículos e cruza o infinito, sem olhar para trás. É como se a dor do outro fosse menos importante ou, simplesmente, descartável. Triste!

O carro de Anna está na Castelo Branco, caminho obrigatório àqueles que se atrevem a desbravar as minas da luxúria, que eclodem no centro paulistano – o paraíso da perdição.
 
Um botão no painel é acionado, o vidro sobe, o frio é contido. Ela está protegida das intempéries do tempo, mas covardemente golpeada pelas maldades de um homem que imaginava ter sob domínio.

A mão direita guia o veículo enquanto a esquerda limpa-lhe as lágrimas. A imagem de um Ricardo que tanto amou não lhe sai da mente. Como deixar de querer alguém que tantos prazeres lhe causou? Como deixar de amar uma pessoa que tantos sentimentos lhe inspirou? Como? Perguntas sem respostas.

O que mesmo havia de concreto era aquele maldito e-mail, que metade de São Paulo, para sua infelicidade, havia recebido, e contra o que nele estava escrito, todo argumento, por melhor que fosse, seria derrubado.


Conhecia o Ricardo dos comprazeres femininos; o arrogante senhor das noites metropolitanas; o inconstante herdeiro de uma das fortunas mais cobiçadas da alta sociedade, que jamais se contentava com as carícias de uma única mulher; já o Ricardo de todos os homens, de uma perversidade deveras surpreendente, que passava o fim de noite na companhia de garotos de programa; que fazia da exibição de suas namoradas, máscaras de suas reais pretensões, este permanecia uma incógnita.

Anna não acredita ter feito parte de uma encenação maquiavélica, em que sua condição sexual servira de disfarce a uma personagem infeliz, que encarcerada no âmago de Ricardo, às vezes se rebela, na tentativa nada inocente de reaver o corpo e a mente para a qual fora supostamente criada.

Consternada, planeja ir ao centro de São Paulo, precisa desabafar e nada melhor do que nos ombros de uma grande amiga. Deixa a rodovia e acessa a marginal.

Mesmo com lua em seu trono, os faróis de seu carro permanecem apagados, apesar dos alertas de inúmeros motoristas. Pudera! Seus pensamentos estão em outra dimensão. E nada parece resgatá-la à realidade!

O veículo está no centro da pista, a uma velocidade reduzida, causando irritação nos demais condutores, que impossibilitados de fazerem a ultrapassagem, buzinam insistentemente. Um caminhão arrisca pela direita, não sendo percebido pela moça, que entregue ainda ao pranto, profere blasfêmias àquele que ousou amar de verdade.


O carro é jogado para a quarta pista, logo está na segunda, fazendo o mesmo zigue-zague do mototáxi. O tráfego é intenso! O som das buzinas é ouvido a distância! As luzes que piscam dos automóveis, ao se confrontarem, parecem formar letras, palavras, frases inteiras do tipo “Saia da frente, sua louca!” –, mas nada disso é capaz de devolver a sanidade a Anna, que permanece mergulhada em um abismo intrínseco desmesurado.

O celular vibra. A mão direita passa para a esquerda a condução do veículo. O identificador reconhece o número de Ricardo. Anna estremece. O mundo, reduzido ao capricho de uma desolada patricinha, almeja ir a pique! Toda a atenção é dedicada ao recebimento da ligação, enquanto o carro, desgovernado, é jogado para a terceira pista; um clarão, dezena de vezes mais horripilante que o de um relâmpago, invade o interior do veículo, atraindo a atenção da garota, que sem condições de evitar a choque com um desses gigantescos ônibus de viagem, apenas grita.


O carro gira, atinge outro veículo e explode ao colidir com a mureta que separa os dois sentidos da pista. A gritaria dos passageiros se confunde com o som das buzinas. Vidros estilhaçados estão por todos os cantos.

Sirenes são ouvidas, ambulâncias cortam a frente dos carros, a polícia interdita o trânsito, o congestionamento atinge grande dimensão. Curiosos invadem o local, dificultando o trabalho das equipes de resgate.


_O que está acontecendo? Por que paramos? – pergunta Ricardo a Marcos, visivelmente alterado, após receber mensagem ofensiva de um número desconhecido. _ Estão me chamando de “veado”! Como vou parar isso?- pergunta a si mesmo. _ Anna tem que me ajudar! E irá! Marcos, o que aconteceu? – vira-se para o chofer, enquanto digita mais uma vez o número da garota.
 
 _Parece que há um acidente logo à frente! E dos grandes!

_Não acredito! Mais essa agora! Como faremos para chegar ao hospital? Há outro caminho?

_Não senhor! – responde, aproximando a cabeça do vidro para ver se descobria algo a mais sobre o possível incidente.

_...E aquela vadia que não me atende? Tenho de convencê-la a ficar do meu lado, dizer à sociedade que tudo aquilo era uma brincadeira de mau gosto, inventada por algum suposto inimigo, que vê em meu sucesso a própria bancarrota pessoal... Assim, quem sabe, o falatório perde vigor.

Passam-se os minutos, o congestionamento se multiplica. A tragédia atrai a imprensa, que derruba a programação, noticiando o caso direto do local do acidente.


_Não posso ficar aqui! Hum! Preciso chegar logo ao hospital...Sabe lá como estará meu pai! Marcos...

_Pois não!

_Ligue para a empresa, solicite a presença de um helicóptero! Acha que ficarei neste congestionamento por mais quanto tempo? Não bastasse a vida de meu pai estar em jogo, a minha também está. Olhe quantos favelados à beira da pista. Se resolverem nos saquear, não sobrarão nem os pelos dos braços. Sabe como pobre é...Tudo é bom, mesmo aquilo que a ignorância desconhece!

_Senhor, são trabalhadores, empregados das empresas adjacentes, não favelados!- rebate, inconformado com a arrogância do jovem.

_Trabalhadores? Só se forem empregados do crime. Vamos, tire-me daqui! Chame logo o helicóptero!
 
_Como o helicóptero pousara aqui? Tá tudo parado!
 
_Sei lá, dê seus pulos, pra isso você é pago.

Os dedos nervosos abrem uma gaveta ao lado, servem-se de um cigarro, levando-o à boca.

_ Logo vi, depois que conheci aquele desgraçado, minha vida virou de ponta cabeça. – diz, já com o cigarro sendo tragado. _Quantas coisas - e todas ruins - caíram em minha cabeça e em tão curto espaço de tempo! Até parece castigo ou algo do gênero! Mas prometo, encontrarei aquele cretino, nem que demore semanas, meses ou anos, e lhe darei uma surra de ficar na história. Ricardo Médici, o terror das ninfetas de Alphaville, ressurgirá das cinzas e fará daquele que o ousou desafiar, o tapete por onde pisará ao término da batalha que agora se inicia. Chega de ser bonzinho, de acreditar em deuses e demônios, de pensar viver novas aventuras; o resultado de tudo isso está aí: meu pai à beira da morte; uma namorada enlouquecida por fotos e textos que não traduzem a verdade; uma sociedade espavorida com a suposta dúbia sexualidade de seu astro, o primogênito de uma das famílias mais tradicionais de São Paulo, no caso, EU! Chega! Esse tal Desbravador irá pagar com a própria vida por todos os males que tem me feito! Prometo!

_Senhor? – pergunta o motorista, tentando atrai-lo à lucidez.

_ Sim, sim...Fale!

_O que o senhor está dizendo?

_ Não é de sua conta!

Tenta, outra vez, falar com Anna.

_ Aquela vagabunda está me desafiando.  Se eu a encontrar agora, juro, é uma mulher morta! Acha que pode me chamar de veado e sair ilesa, como se eu fosse um daqueles idiotas que perdoam tudo em prol da paz mundial? Coitada! Sou bem pior do que possa imaginar. A escola em que Hitler estudou é apenas uma pré-escola diante da minha. Cadê meu helicóptero, Marcos?

_Não será preciso, senhor! A polícia acaba de liberar duas das quatro pistas...Tenha um pouco de paciência, logo estaremos no hospital.


“_A fila gigantesca começa a se mover. Todos assistem à tragédia com espanto. A colisão deixara um rastro de sangue e morte. O condutor do principal veículo envolvido, ainda não identificado, morreu carbonizado minutos depois da explosão. As demais vítimas, em estado preocupante, foram levadas para os hospitais da região. Neste momento, os bombeiros tentam resgatar os restos mortais do motorista que ocupava o veículo incendiado...”- anuncia o locutor de uma rádio local.

_Quem será o retardado que causou toda essa tragédia? – pergunta Ricardo, diante do que sobrara do automóvel. _Na certa, estava bêbado!

Marcos vira o rosto para o lado oposto ao acidente, sua mente não o poupa, a caixa de Pandora é reaberta:

Lá estava Nathalia, muito ferida, estirada sobre o banco de trás, suplicando para que Deus a poupasse, tinha um filho para criar.

O sangue, ainda que comprimido por uma toalha, insistia escapar ao controle e manchar o piso do carro, que nas mãos do motorista, voava pela rodovia.

_Marcos?! Marcos?! Por que suas costas estão ensanguentadas? – pergunta a mulher, ao perceber que o terno do motorista continuava a gotejar mesmo depois de tê-la acomodado. _Marcos!


O chofer prefere o silêncio. Com esforço, a mulher se levanta, corre os olhos ao redor e termina por centralizá-los no homem, que gemica, enquanto o sangramento lhe corre o corpo.

_Marcos?! O que acontece? Por que está todo molhado de sangue? Fale...Você...você também se machucou?

Ao curvar a cabeça, enxerga sobre o banco do passageiro a mesma máscara negra há pouco vista naquele quarto. Ao rever as costas do empregado, entende tudo. O medo vence a coragem. O choro lhe cai como bomba.

_ OH, MARCOS, POR QUÊ? POR QUÊ? DEPOIS DE TUDO QUE LHE FIZ...POR QUÊ? – pergunta, numa voz embargada. _MEUS DEUS! QUE SINA A MINHA!!!

_ Sin...sinto muito!!! –
 balbucia o empregado, tentando suportar a dor.

_ Sente muito? Do que está falando, Marcos? – indaga Ricardo, enraivecido._ Ande logo com esse carro senão eu assumirei o volante.

_ Desculpe, senhor! – responde, trêmulo, após ser resgatado do fosso dos pesadelos. Eu estava distante...

_ Distante estou eu do hospital! Agora ande logo e pare de conversa. Preciso de mais cigarros!- diz, abrindo novamente a gaveta.

Algumas dezenas de minutos depois...


Uma ambulância fecha a rampa de entrada do hospital, fazendo com que o rapaz desça do carro e caminhe até a recepção,  enquanto o motorista conduz a limusine ao estacionamento.

_Abra caminho, é uma emergência! – pede, aos berros, uma voz rouca._ Precisamos que receba este paciente, a marginal está parada e o próximo ponto de atendimento público fica a muitos quilômetros. Ele não resistirá.

Ao virar-se, Ricardo vê sair da ambulância uma figura apática, com poucos cabelos, olhos profundos, braços arroxeados, com picadas por todos os lados... É a verdadeira caricatura de um morto em vida.


A maca passa por ele, acompanhada de perto por uma senhora, possivelmente a mãe, que não se cansa de suplicar aos santos misericórdia. Uma bomba de oxigênio alimenta o paciente enquanto o soro, nas mãos de uma enfermeira, invade-lhe as veias com voracidade.

A comoção é espelhada na face de todos que assistem ao desespero do paciente de meia idade, cujas forças estão próximas do fim.

_Coitado!!! Que dó!!! – diz Ricardo, incrivelmente sensibilizado com o estado do homem. _ Ninguém merece isso!!! Aliás, só aquele lunático!!!
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8 Personagem de “O Clone”, novela de autoria de Glória Perez, transmitida pela Rede Globo de Televisão de 01 de outubro de 2001 a 14 de junho de 2002, vivido pelo ator Silvio Guindane. Na trama, ele é o balconista fofoqueiro e intriguento que trabalha no bar de Dona Jurema Cordeiro, mais conhecida como Dona Jura,  interpretada pela atriz Solange Couto.
 
Carlos Mota
Enviado por Carlos Mota em 12/01/2021
Reeditado em 12/01/2021
Código do texto: T7157709
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Carlos Mota
Vargem Grande Paulista - São Paulo - Brasil, 44 anos
144 textos (83561 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/01/21 05:02)
Carlos Mota

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