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MANDY VI - PLANOS - PARTE 1

                                         I – PLANOS

                      Na casa dos Ramalho, ao contar ao pai sobre seus planos de se tornar modelo fotográfico da famosa empresa carioca, Marco não recebeu do pai uma boa reação. Os dois estavam trocando o pneu no Monza de Antônio, ele parou, olhando para o filho que destorcia a roda.
- Como é que é?
- Foi o que eu te disse: eu vou ser modelo da A M Bueno no Rio.
- Marco, você enlouqueceu?
- Não, estou falando sério. Pega ali o estepe pra mim?
   Antônio o ajudou a tirar o pneu furado e lhe entregou o novo. Encaixaram-no no lugar e Antônio encostou-se no carro, enquanto Marco apertava as porcas.
- E você vai pro Rio?
- É, pelo menos três vezes por semana, vou ter que ir.
- E sua mulher sabe?
- A Amanda?
- É claro! Você tem outra?
- Claro que sabe! Foi ela que me deu a maior força.
- Meu Deus do céu!
 Marco terminou de apertar as porcas, baixou o macaco e ergueu-se, limpando as mãos.
- Meu Deus do céu por quê? É tão absurdo assim?
- E não é? Você não é mais um adolescente fazendo o colégio. É um pai de família, com dois filhos pra criar e vai se prestar vai ficar exibindo roupa de gente chique pra gente que nunca trabalhou na vida!
- Ei, calma lá! Eu vou só vender o produto deles e vou ganhar em troca também. Não vai ser nada de graça. E quanto a ser pai de família, eu vou continuar sendo, isso não significa nada. Se você quer saber, eu também não queria ir. Não queria deixar a Amanda aqui e ir pra lá, nem que fosse só três vezes na semana. Ela e a Rita foi que me fizeram a cabeça. Se a Amanda não concordasse, eu nunca aceitaria.
- Ela vai sentir que a coisa não é tão fácil como parece.
- Eu sei que não é fácil e ela também sabe, pai. Ela é modelo também, você se esqueceu? Só que, como você mesmo disse, eu vou ter dois filhos e não quero criar meus filhos naquele apartamento pequeno. Quero comprar uma casa grande, maior que essa sua e mais bonita, na Chácara Flora, num lugar bem bonito e tranquilo, como na música do Roberto Carlos. E pra isso eu preciso de dinheiro.
- Só por isso?
- Um dos grandes motivos. Você não fez o mesmo quando minha mãe engravidou de mim? Saiu desse mesmo apartamento que eu moro agora pra vir morar aqui. Eu quero fazer a mesma coisa pelos meus filhos. E são dois grandes motivos!
   Antônio se virou e apoiou os braços no capô do carro.
- Por isso não... Vou te contar uma coisa que não contei há muito tempo, esperando chegar uma boa oportunidade. Você tem dinheiro pra comprar duas casas no banco.
- O quê?! Você pirou?
- Estou falando sério,
- E de onde veio esse dinheiro? Eu tenho grana no banco, sim, mas não dá pra comprar duas casas. No mínimo posso comprar uma com várias prestações a pagar a perder de vista.
- Pergunte ao Teo.
- Espera aí, pai, o Teo sabe exatamente o que eu tenho no banco.
- Sabe! Sabe sim. Sabe o quanto você realmente tem.
- Não estou entendendo nada.
   Antônio respirou e começou a passar a estopa nas mãos para limpá-las.
- Acontece que eu não descontei os cheques que você me pagou pelo apartamento. Coloquei o dinheiro numa outra conta paralela, apliquei e...
   Marco olhou para o pai abismado e o interrompeu:
- Como é que é? Não descontou os cheques que eu te dei pra pagar o meu apartamento?
- Não... Aquele apartamento era herança sua e continua sendo. Você não precisa ir pro Rio pra conseguir dinheiro nenhum. Ele está todo aqui.
- Quer dizer que... eu não paguei um tostão pelo apartamento onde eu estou morando com a Amanda?
- Não, por que...
- Você não devia ter feito isso, pai.
- Por que não? Era meu e ia ficar pra você quando eu morresse...
- Você não devia ter feito isso! Eu não quero esse dinheiro!
  Marco entrou no quintal da casa e foi até o tanque lavar as mãos. Antônio o seguiu.
- Marco Antônio!
  O rapaz enxugou as mãos e entrou na cozinha. Chamou Amanda.
- Amanda, vamos embora.
- O que foi? - ela perguntou.
   Ela estava sentada à mesa da cozinha ajudando Laila a confeitar um bolo que tinham acabado de fazer.
- Vamos pra casa.
- Marco, você não está sendo racional! – disse Antônio, entrando atrás dele.
- Eu não estou sendo racional?! A minha vida inteira você ficou pregando responsabilidade, martelando na minha cabeça que um homem que quer se sentir bem consigo mesmo, deve fazer as coisas por si mesmo com responsabilidade. Pois era isso que eu queria quando, supostamente, comprei aquele apartamento! Eu queria pagar por ele! Não importava que ia herdá-lo ou ganhar de presente de você! Eu expliquei isso pra você na época. Eu queria comprar! Você me enganou!
- Filho...
- Não me venha com filho nem meio filho. Eu banquei o palhaço esse tempo todo. Como é que eu posso me sentir um pai de família, como você mesmo acabou de me definir, se meu pai ainda me trata feito criança, feito um filhinho de papai, hein!? Vai querer pagar a faculdade dos meus filhos também, seo Antônio?
- Marco! – exclamou Amanda.
- Vem, amor. Vamos embora. Eu te explico no carro o que aconteceu.
   Marco beijou a mãe e ajudou Amanda a se levantar, saindo com ela pela porta da cozinha. Antônio se sentou à mesa. Laila olhou para ele sem saber o que dizer e foi acompanhar Marco e Amanda até o carro. Depois de abrir a porta do Escort para Amanda entrar, ele abraçou a mãe e beijou sua testa.
- Desculpa sair assim, linda. Dá um beijo na Mariana quando ela acordar.
- Marco, seu pai...
- Não, não diz nada, não, mãe. Eu só queria que ele parasse de me tratar feito criança. Eu vou dar dois netos pra ele e ele continua me tratando como se eu tivesse dezessete anos. Quando é que isso vai parar? Quando eu for avô?
- Acho que nunca, filho...  Laila disse com um sorriso triste.
   Marco balançou a cabeça e entrou no carro.
- Tchau, mãe. Vai consolar o seu cabeça dura.
   O carro se afastou e Laila entrou de novo na casa. Quando entrou na cozinha, Antônio estava encostado na pia tomando um copo de água.
- Ele descobriu, não foi? – ela perguntou.
   Antônio não respondeu imediatamente. Sentou-se à mesa e suspirou.
- Eu não pensei que ele fosse tão orgulhoso, Laila. Não pensei que ele fosse reagir assim.
- Ele é seu filho...
   Antônio olhou para ela e balançou a cabeça, apoiando os braços na mesa e colocando a cabeça sobre eles.


                                            PLANOS
                                            PARTE I

                            MEDITAR É COMO REZAR, ORAR,
                           CONVERSAR COM O CRIADOR
                   FICANDO EM SILÊNCIO CONSIGO MESMO
                 SEXTA-FEIRA DE SILÊNCIO MEDITATIVO A TODOS!
                            DEUS PERDOE A TODOS NÓS...
                POIS AINDA NÃO SABEMOS O QUE FAZEMOS!
                                 FÉ E ESPERANÇA SEMPRE!

                                              OBRIGADA...

Velucy
Enviado por Velucy em 02/04/2021
Código do texto: T7221795
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Sobre a autora
Velucy
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