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Oração Contemplativa

 

Viagem a Emaús.

 

No domingo, os 11 discípulos de Jesus ainda encontravam-se abalados com todos os acontecimentos ocorridos desde a 5a feira anterior, quando Jesus foi preso, condenado, açoitado, crucificado, morto e sepultado. E ainda sofriam a comoção da traição de Judas e o seu posterior suicídio. Quanta tragédia em tão pouco tempo, em tão poucas horas consumindo homens e mulheres humildes que lutavam, apenas, por uma oportunidade esperança. A esperança de encontrarem Deus.

Com toda aquela loucura, as pressões dos sacerdotes do Sinédrio, a crueldade de Herodes, as ameças veladas de Pilatos e o pavor que todo mundo tinha dos romanos, fez com que os 11 discípulos de Jesus simplesmente sumissem. Na hora da crucifixão somente as mulheres e o discípulo amado encontravam-se ao lado da cruz. Os demais desapareceram com medo de serem, também, crucificados.

A decepção era grande e muitos começavam a ir embora, retornando para suas cidades de origem, pois acreditavam que tudo havia terminado. Dois discípulos iam para Emaús que ficava a duas horas de distância de Jerusalém. Escutando isto, eu pedi para acompanhá-los, já que eu morava por aquelas bandas e não queria voltar sozinho, pois tudo que eu tinha visto, ouvido e presenciado em Jerusalém ainda estava nítido na minha retina e o medo, simplesmente, me assustava. Fomos andando e eu, respeitosamente, me mantinha sempre a uns dois passos atrás deles.

De repente, uma figura nos alcança e surge ao meu lado. Olhei para o homem que acabava de juntar-se a nós e ele me cumprimentou com um sorriso maravilhoso. Fiquei em estado de choque quando reconheci quem era. Meus cabelos ficaram arrepiados. Meu corpo todo tremia. Eu queria falar mas a minha voz tinha sumido. E meus olhos estavam arregalados de surpresa, alegria e espanto ao mesmo tempo. Era Jesus ao nosso lado!

Ele piscou para mim e fez um singelo gesto pedindo a minha cumplicidade no silêncio. E juntou-se aos outros dois discípulos que olharam para ele mas não o reconheceram. Os dois caminhavam e discutiam sobre os recentes acontecimentos que tinham presenciado em Jerusalém. Jesus os alcançou e com ar de inocência perguntou:

- Quais são essas palavras que estais trocando ao caminhar?

 

Os dois pararam, olharam com ar sombrio para ele e responderam:

- Tu és decerto o único homem de passagem por Jerusalém que não tenha sabido o que se passou nestes dias!

 

E Jesus, fingindo que nada sabia, disse:

- Que foi?

 

Os três começaram, então, a confabular. Eu continuava mudo, perplexo, mas com os ouvidos totalmente abertos, pois não queria perder uma fração de segundo sequer daquela conversa que prometia ser fantástica. Eu percebia, claramente, que era um expectador privilegiado dos próximos acontecimentos. E procurei aproximar-me o máximo possível para poder saborear uma conversa histórica. Cléofas, então, começou a contar ao nosso “visitante” os fatos ocorridos na cidade.

Comentavam como Jesus de Nazaré, até então visto por todos como um profeta poderoso em atos e palavras diante de Deus, foi odiado pelos sumos sacerdotes judaicos e abandonado pelo seus discípulos mais próximos, deixando que fosse preso, condenado e crucificado. E confirmavam em suas palavras que esperavam que Jesus seria o grande libertador de Israel. Eles não percebiam que a libertação prometida por Jesus era outra, muito mais profunda e radical.

A decepção deles com o desfecho dos fatos era tamanha que não entendiam as palavras das discípulas do Senhor que tinham visitado o túmulo e o acharam aberto, sem o corpo do “profeta” e que repetiam as palavras dos anjos que tinham encontrado no local. Eles não acreditavam nelas e não ligavam os fatos as palavras de Jesus enquanto estava vivo. A tristeza era tanta que o descrédito era total.

O “visitante”, então, censurou as palavras dos dois discípulos e começou a explicar-lhes o porque do que havia sucedido. Tudo tinha uma razão de ser e encontrava-se claramente nas Sagradas Escrituras. E enquanto caminhavam, Jesus ia comentando, ponto por ponto, desde Moisés e os demais profetas o que concernia aos fatos.

Chegamos, então, a Emaús e Jesus fingiu que ia prosseguir em sua caminhada. Rapidamente os discípulos o convenceram a ficar em razão da hora tardia. E continuaram as conversações, mais tarde quando sentaram à mesa do jantar, o nosso ilustre “visitante” tomou o pão, pronunciou a bênção, partiu-o e lhes deu! Então os olhos dos discípulos se abriram e o reconheceram. Depois, ele se lhes tornou invisível. Maravilhados, disseram um ao outro:

  • Não ardia em nós o nosso coração quando ele nos falava e nos explicava as Escrituras?

 

Imediatamente, recolheram todos os seus pertences e voltaram rapidamente a Jerusalém para contar aos demais a belíssima “experiência de Deus” pela qual tinham passado e que queriam dividir com todos os seus irmãos. Lá chegando souberam que o Mestre também tinha aparecido para outros discípulos:

- É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão.

 

Passados 2.000 anos, entendemos que Jesus tinha que morrer para compreendermos a beleza da Ressurreição.

Jesus foi condenado por duas razões:

 

primeiro, pelos judeus que o consideravam blasfemo;

segundo, pelos romanos que o consideravam agitador;

 

Estas as razões porque Jesus morreu fora da cidade de Jerusalém e porque foi crucificado. Naquele tempo, os profetas morriam apedrejados e dentro da cidade. Somente os criminosos tinham morte de cruz. Uma morte sofrida, cruel e que servia de exemplo para quem pensasse em praticar atos da mesma forma. Na verdade, a cruz significa instrumento de crueldade. A crucificação demonstra a que nível de maldade o ser humano pode chegar. A morte de cruz mostra o grau mais bestial do ser humano. Nem animais selvagens cometem barbaridade tão grande.

 

Leia: Lucas 24, 13 – 35

 

Meditando:

 

  • O que tudo isto significa para você?

  • O que você aprende com toda esta história?

  • Qual o ponto mais marcante, nesta história, para você?

  • Qual a mensagem final que fica em seu coração?

  • A crueldade dos homens melhorou ou piorou ao longo dos anos?

  • Se Jesus retornar agora, você seria capaz de reconhecê-lo?

     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Leandro Cunha
Enviado por Leandro Cunha em 19/09/2007
Reeditado em 07/07/2008
Código do texto: T659150

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Sobre o autor
Leandro Cunha
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 68 anos
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Leandro Cunha

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