Retrospectiva 2008

Retrospectiva 2008

É comum e praticamente uma tradição das mídias fazerem uma retrospectiva no fim de ano. Essas retrospectivas reúnem em um bloco de texto, ou em filme, os acontecimentos mais relevantes que surgiram no ano. Esses apanhados gerais de nada adiantam. A retrospectiva não funciona. E digo por quê. Quando um apanhado de fatos é jogado na frente do cidadão pacato que lê tranquilamente ou assiste ao programa, com a boca cheia de nozes e meio alto da cerveja, aquele amontoado de acontecimentos só o fazem relembrar do momento em que aconteceram. No máximo faz com que o sujeito se lembre do que comentou ou o que sentiu na hora. Assim como uma música desperta algumas lembranças a retrospectiva só faz trazer a recordação à tona.

Para que um apanhado de fatos tenha algum significado eles precisam ser avaliados. Precisam de um sentido. Mas a dita imparcialidade jornalesca dos dias atuais impede que haja um propósito para o que mostram. Quando o fato é mostrado por que é um fato conclua o que quiser quem quiser. Isso seria verdade se vivêssemos numa sociedade de seres pensantes. Se 80% da nossa população é analfabeta funcional imediatamente pensamos que elas mal sabem lidar com a realidade que possuem, a mais imediata, quanto mais avaliar as nuances mais profundas dos fatos. Se alguém mal entende o fato mesmo, como vai tirar daquilo algum sentido?

Então o que farei será uma retrospectiva, mas uma retrospectiva do pensamento. Do meu pensamento. De como os fatos se processaram, de como acho que eles se interligam, de como as coisas tomam um sentido mais amplo ou mais supérfluo. É a primeira vez que farei tal coisa, é a primeira vez na minha vida que vejo a necessidade de tal coisa. Assim deve ser a primeira vez que eu me vejo como ser humano que vive, constata e aprende. Nesse momento uma retrospectiva é o resumo máximo do processo histórico. Só há história para quem vive no presente e se vê como um indivíduo que carrega todo o peso do passado, que necessariamente aconteceu, e tenta, ao refletir sobre ele, se realizar no mundo concreto e partir para a ação, partir para a vida como conhecedor do que já foi, do que é e tomando o rumo do que será. A retrospectiva é o último capítulo da história, que quando é contada passa a ser o penúltimo no movimento eterno que lhe é próprio, vamos contá-la.

Perdão, antes de mais nada, pela total descronologia que adotarei. A avaliação dos fatos traz uma concreção que forma um bloco e esse bloco é dividido pela importância de alguns assuntos, ou temas, que serão muito importantes para a avaliação da vida, da realidade e de nossa situação. Assim esclarecido vamos lá.

Para começar devo relembrar três fatos que analogicamente resumem o ano. Morreu Derci. Morreu o padre dos balões. Morreu Beto Carreiro. Derci era a rainha da baixaria, reconhecida amplamente pelo baixo calão de seu discurso. O padre dos balões foi um ícone da boa vontade que aliada à estupidez termina de maneira trágica. E Beto Carreiro era o maior símbolo do circo brasileiro. O circo brasileiro passou de Beto Carreiro para Brasília e de Brasília para o mundo. Essa realidade não foi notada, como fato, pois as pessoas, em sua grande maioria, procuravam fazer alguma coisa, para sobreviver (ok), mas agindo sem refletir terminamos estourando nossos balões de hélio. Sem planejamento terminamos sem saber para onde vamos, ou sabendo e/ou querendo somos dragados para fora do nosso caminho, e pela simples ignorância de manejar o que temos ocasionamos nossa própria derrota, muitas vezes mortal. E quando tudo está perdido, só há duas saídas. A primeira é tentar romancear a realidade para não perceber a derrota. A outra, dá-lhe Derci, é reconhecer a merda em que se está e dizer em plenos pulmões: É agora fodeu!

E é exatamente esse sentimento que fica nesse fim de ano. Agora tudo foi pro brejo. Mas como sentir-se de uma maneira não é necessariamente estar ou ser dessa maneira, devemos analisar o que se passa, e te digo com certa confiança, a coisa está preta.

Esse ano foram lançados dois livros, de dois brasileiros, que dizem praticamente tudo sobre nossa situação. Lula é Minha Anta do Diogo Mainardi e O País dos Petralhas do Reinaldo Azevedo. Nossa situação está tão surreal que esses livros, apenas dois, podem ser considerados os mais importantes do ano. Esqueça Paulo Coelho e a baboseira do líder. Esqueça Augusto Cury e seu psicologismo de quinta. Esqueça o cachorrinho Marley. Esqueça os vampiros adolescentes. Esqueça Monteiro Lobato e o raio do presidente negro. Esqueça Todas essas pendengas de auto ajuda, reflexão, auto estima, como fazer, 10 passos para..., enriquecer etc., esqueça tudo isso. Jogue no lixo. Leia Mainardi e Azevedo. Assim você entenderá melhor o ano. Para esclarecer melhor a nossa situação essa retrospectiva é fundamental. Vamos lá.

Nosso governo se monta em cima do Bolsa Família. Usa a Petrobrás para manobras políticas. Usa a Telemar para enriquecimento próprio. Apóia governos esquerdistas comunistas da América Latina. Trava contato com guerrilheiros torturadores e seqüestradores. Só isso já basta para arrepiar os cabelos. Esse ano o governo colombiano matou o líder das Farcs e o número dois. Raúl Reyes. Uma revista colombiana obteve acesso ao conteúdo do laptop de Reyes e constatou que ele trocara e-mails com a cúpula do governo brasileiro. Dilma Russef contratou a mulher do contato das Farc e a colocou diretamente dentro do Planalto. Lula tem fotos ao lado de Reyes e Medina. Em qualquer país sério o contato direto do presidente e seus chegados com a narcoguerrilha colombiana seria o suficiente para levar todos presos. Mas o governo se pronunciou oficialmente e disse que nunca travou contato com as Farcs. O bilhetinho de Lula vale mais que fotos, e-mails, contratos e todas as provas e evidências possíveis do seu envolvimento com as Farcs. Nossa imprensa é maravilhosa.

Vejamos então o seu governo. Na área de saúde pública, uma graça só. De todas as medidas podemos destacar duas que fizeram desse ano um dos mais estúpidos desse governo petralha. 1) A compra através de licitação pública de 15 milhões de saches-gel de lubrificante anal para distribuição aos gays e 2) aprovação de que o SUS cubra operações de troca de sexo. Realmente com nossa saúde indo às mil maravilhas esses atos são os únicos que sobraram para permear o ano da saúde pública. Nos nossos hospitais esse ano não morreram muitos recém-nascidos por precariedade de maternidades. Não faltou incentivo para as coisas mais básicas e as reportagens dos jornais sobre teto desabando em hospitais, a falta de gazes, falta de dipirona, greves, reivindicações de médicos e enfermeiros etc., foram todas armações grotescas para sabotar o governo. Não bastasse essas sandices a parada gay em São Paulo recebe 400 milhões em investimentos. Ao mesmo tempo em que as novelas da rede globo (com minúscula de propósito) adotaram o sistema de cotas, mas para personagens homossexuais.

Não sei se, exatamente, no livro do Reinaldo está contido, mas no seu Blog na Veja certamente pode-se encontrar. O Ministério da Educação foi assaltado, desestruturado e desequilibrado. Todas as provas estão lá. Questões de provas mostram a doutrinação nas escolas, nos concursos públicos, nos vestibulares etc. Até em matemática conseguem doutrinar os alunos, falar que o capitalismo é ruim e o socialismo é bom. Nossas crianças estão sendo doutrinadas há muito tempo, mas nesse ano Reinaldo fez um ótimo trabalho divulgando essa petralhada. Assim como se não bastasse doutrinar as crianças, coitadas, uma nova denúncia estarrece nossas mentes. O kit de educação sexual nas escolas públicas contém um pênis de borracha, vulgo consolo, para ensinar as crianças as melhores maneiras de se fazer sexo, assim como o diálogo e o ensino das posições sexuais. E como colocar a camisinha. Imagina uma turma de moleques, vendo a professora pegar um pau de borracha e colocar uma camisinha nele? Incrivelmente essa educação sexual só piorou o número de gravidez na adolescência e a promiscuidade entre os adolescentes. Conclusão do ministério da educação? Os métodos estão muito brandos, há de se intensificar os métodos de educação sexual.

Esse ano aconteceu algo muito curioso. O presidente da ANP, Haroldo Lima, fez uma declaração sobre descobertas da Petrobrás de novos campos de petróleo, descobertas essas que não haviam sido anunciadas oficialmente pela empresa, e depois declara que desconhece a Bolsa de Valores e não sabia que seu comentário iria repercutir diretamente nas ações. O pior de tudo? Ele realmente desconhece, quem viu a entrevista com ele na Globonews percebeu que o presidente da ANP é uma anta, um imbecil completo. Quem indica o presidente da ANP? Deixo para o leitor descobrir.

Nesse ano Gilberto Gil deixou o cargo de ministro da cultura. Deixou Juca Ferreira no seu lugar. Se Gilberto Gil já era uma vergonha para um ministro da cultura, esse Juca é exemplar pro cargo. Vejamos alguns projetos em que ele participou: Coordenador do Projeto de História Oral dos Bairros de Salvador; Assessor do Centro de Estudos da Referência Negromestiça (CERNE); Assessor do Projeto Axé (Projeto Educacional para Meninos de Rua). Então história oral, a negromestiçagem e o projeto axé foram, até 1995, o que de melhor Juca fez na área de “cultura”. Depois disso está envolvido diretamente num sem fim de atividades ligadas ao meio ambiente, todos envolvendo o tema: sustentabilidade. De cultura vamos ter isso, filmes sobre o meio ambiente, livros sobre a sustentabilidade, teatro sobre o desmatamento etc., agora me diga: que raio de cultura é essa?

Chega de falar do governo Lula, já temos retrospectiva demais para um só ano. É tanta coisa surreal que parece mentira. Mas não é. Aí reside o problema. Se tudo isso acontece dessa maneira como é que nós nunca ficamos sabendo dessas coisas da maneira que é verdadeira? Agradeçam a nossa mírdia, ou a nossa mérdia. Tanto faz. Esse ano a mírdia brasileira, que era um fenômeno cultural da nossa terrinha, conseguiu um feito memorável, expandir-se. Seu modus operandis foi devidamente copiado e sua aplicação em larga escala garantiu a eleição de um sujeito obscuro para a presidência americana (com trocadilho por favor).

Há pouco tempo O Globo publicou uma matéria sobre a revista Time, que elegeu Obama o “homem do ano” e o congratulou, pois foi eleito presidente e há dois anos era um ilustre desconhecido. Ao inverter totalmente a ordem da coisa a notícia nos mostra a que nível a imprensa chegou. Primeiro a revista Time nos diz que é bom que elejamos um presidente que desconhecemos completamente. Em seguida O Globo repete isso como filho que imita o que o pai disse. Certamente Obama é o man of the year, o homem desconhecido, sem passado, o homem mais fraudulento, mais mentiroso do ano.

Como disse, a mírdia se expandiu para as terras estadunidenses. Isso quer dizer o que? Que fatos relevantes e preocupantes foram sistematicamente escondidos, tapados, abafados. Para começar: em fevereiro Hillary Clinton, então candidata a vaga democrata para eleição, divulgou fotos de Obama com roupas mulçumanas, fizeram vista grossa para o fato. Durante a campanha um grupo obamista fez um boneco da Sarah Palin, vice do McCain, e tripudiou do boneco, a mostrando enforcada, as autoridades acharam graça da “brincadeira”, e assim foi noticiado. Um outro grupo, a favor de McCain, fez um boneco do Obama. Foram acusados de crime, racismo, instigação à violência e foram considerados indecentes. O encanador Joe, num dos debates públicos, fez a Obama uma pergunta inocente, contundente, sobre a taxação de empresas, e queria esclarecer se o que Obama considerava uma grande empresa não seria exagero, pois o faturamento anual que Obama prometeu sobretaxar era mais ou menos de pequenas e médias empresas. Obama desconcertado com a pergunta se embananou todo para responder, o que acabou não fazendo, desconversou. No dia seguinte a vida do pobre encanador estava acabada. A imprensa juntamente com o governo descobriu que ele não havia pago uma multa há 5 anos e que ele fazia serviços de encanador sem a carteirinha do sindicato, tudo publicado em matéria de capa. Sarah Palin foi processada por uma demissão justa que fizera, dentro de seu mandato, de um policial. O processo alegava que ela o tinha demitido por razões pessoais, um processo pequeno e ridículo. Ele foi estampado nas capas dos principais jornais seguidamente ao longo de dias. Phillip Berg, um democrata, para quem não sabe: um democrata é do partido de Obama, abriu um processo contra Obama. No processo ele alegava que o candidato não havia apresentado a documentação necessária e que sua certidão de nascimento faltava entre os documentos oficiais para a candidatura. O site do cidadão recebeu mais de 30 milhões de acessos em poucos dias. Nem uma palavra sequer foi dita em jornal algum do país. McCain viajou ao Chile no começo de sua carreira, ele se encontrou com Pinochet. O fato foi alardeado por todos os jornais, mesmo que o encontro tenha sido em 1985. Obama estudou em Harvard com dinheiro de um príncipe saudita que apóia grupos terroristas. Obama trabalhou em ONGs de militantes esquerdistas radicais. Obama manteve contato com terroristas nos EUA. Obama apoiou a candidatura de Odinga no Quênia, mesmo depois de Odinga ter queimado igrejas católicas, algumas com pessoas dentro. Nenhuma palavra foi dita sobre esses fatos nos jornais.

Esse quadro de um parágrafo é uma retrospectiva suficiente para mostrar quem é Obama. E o que a mírdia fez com ele. Elegeram um desconhecido. Que só permaneceu assim por conta da mérdia americana. Esse ano será marcado por essa eleição, e pelo ano em que a mídia americana se vendeu, e elegeu o homem negro, o primeiro que vai governar os EUA. Como se o caso de pele fosse importante. Como se um negro por ser negro merecesse estar na Casa Branca. O governo americano foi corrompido, o sistema americano seria o único a salvar a coisa toda. Mas o Supremo se recusou a ver o caso. Apresentou uma desculpa esfarrapada e tirou o corpo fora. E não só de um processo, mas de vários, que ainda analisa e ainda se esquiva de ver. Obama é um desconhecido, aliado exatamente com o discurso da ONU. Ele bate na tecla do meio ambiente, do aquecimento global, da sustentabilidade. A “Onda Verde” nunca foi tão presente em nossas vidas como foi esse ano.

Desde 2006 o documentário de Al Gore, que foi agraciado politicamente com 2 Oscars, tem feito a cabeça de muita gente. Gente normal que acredita no que vê no dia a dia, que vive tranquilamente sua vida. Que passa a crer no que não pode ver, temer o desconhecido, ter medo das coisas invisíveis. O meio ambiente é uma arma, arma de manipulação, arma que pega as pessoas diretamente pelo medo. O medo da desgraça.

Esse também foi o ano das desgraças. Mianmar sofreu. Em maio Mianmar foi atingida por um ciclone e perto de 40 mil pessoas morreram. O caso foi noticiado com requintes de realidade pela mídia. A China foi vítima de um terremoto, 12 mil pessoas morreram, e milhares ficaram feridas. Santa Catarina sofreu o maior desastre da sua história, 100 mortos. Nova Orleans em agosto retirou praticamente sua população inteira com medo do furacão Gustav. Queimadas na Califórnia em julho causaram danos enormes e mais de mil focos foram detectados. Em maio um vulcão entra em erupção no Chile e causa o deslocamento de milhares de pessoas. Todos esses fatos são noticiados com prioridade. São estampados à vista nos jornais impressos. Merecem vários minutos nos jornais televisivos. Causam a impressão que o mundo está caindo, tudo está desmoronando. E especialistas sempre apontam as causas desses desastres: o aquecimento global provocado pelo homem.

Enquanto todos esses desastres que permearam os noticiários o ano inteiro são fixados na mente do espectador com ampla divulgação, dois acontecimentos passaram despercebidos do conhecimento público. A Rússia invadiu a Ossétia do Sul para brigar com o governo da Geórgia que matou cerca de 2 mil pessoas, e desalojou e deslocou milhares de outras. Esse evento fala mais da Rússia e seu processo expansivo. A Rússia é um caso à parte, Putin com sua política de controle total se manteve no poder ao conseguir eleger Medvedev, seu cupincha, e fazer com que fosse nomeado primeiro-ministro. A expansão russa é escondida e abafada dos noticiários. Se a KGB era a maior agência de informação e influência no mundo, com mais de 500 mil funcionários e/ou colaboradores, ao ser sucedida pela FSB desapareceu do conhecimento público e praticamente não se ouve mais falar de sua atuação. Mesmo que esteja envolvida mundialmente com lavagem de dinheiro do tráfico, principalmente latino americano, com atentados terroristas, manipulações internas, controle completo da mídia russa, doutrinação de jovens etc. Quando a Rússia se mostrou solícita e concordou em fazer movimentos militares marítimos com a Venezuela, e foi a mediadora do caso nuclear com o Irã, ninguém viu nisso uma suspeita de que a Rússia está envolvida demais com esses regimes tenebrosos. Nada sai na mídia.

Mas o destaque do ano, pelo menos dos que eu conheci foi o caso do Congo. Nas disputas internas entre governo e grupos de milícias/paramilitares, apelidados de exército pela libertação, forças armadas revolucionárias e coisas do tipo, mais de 250 mil pessoas sofreram danos, seja por mortes, torturas, estupros etc., a Cruz Vermelha garantiu que a situação estava caótica e incontrolável. Certamente o motivo é o mesmo que sempre foi: raça. Tutsis contra hutus. Se somarmos todas as desgraças ambientais do ano nada se compara a esse genocídio do Congo. Mas a mérdia brasileira e internacional noticiou com notas de rodapé e com anúncios breves, como quem diz que nada aconteceu.

Afinal durante todo esse incidente outra coisa era mais importante. Muito mais importante. Primeira coisa de relevância para esse ano de 2008: a destruição do sistema americano com a eleição do inelegível Obama. A segunda coisa que mais ressaltou o ano foi o assalto sistemático de mais de 5 trilhões de dólares das empresas privadas aos cofres públicos dos países do mundo inteiro. Há quem veja pelo ângulo que foi a maior onda de estatização que houve há muito tempo, mas pelo que sei estatizar é tomar controle total, colocar uma empresa nas mãos do Estado. E isso de longe foi feito. Alardearam que a crise financeira só teria solução se os governos interviessem com dinheiro, muito dinheiro. Tudo começou com alguns bancos americanos. Que decretaram insolvência, logo uma série, uma cascata inenarrável de bancos e empresas começaram a abrir o bico e colocar a língua pra fora. Segundo o presidente do FED havia uma crise não só de crédito para o público como também entre bancos. Coisa inusitada para quem viu os documentos que mostravam que naquele mesmo instante os empréstimos subiam em número e quantidade entre os bancos. Assim acreditando na mentira do FED todo o mercado que é gerido pela confiança mútua foi abaixo. Incrivelmente essa crise precedeu exatamente a eleição americana. Foi sincronizado, um mês e meio antes da eleição a crise começou.

Empresas pediram dinheiro aos governos e deram férias coletivas. Bancos quebraram e foram socorridos pelo governo, comprando títulos podres. EUA, UE e China despojaram quase 5 trilhões de dólares nos mercados, nas empresas e nos bancos. Que até agora não pareceram mudar muito suas políticas. Mostrou que o crédito é a força motriz da economia mundial, que um boato do FED pode causar a derrocada mundial, que se para quisermos viver decentemente temos que terminar essa onda de créditos infernal, mas o que fizeram foi justamente reativar o crédito, e tentar se salvar bebendo mais veneno como se fosse antídoto. As conseqüências disso serão sentidas diretamente após o ano novo.

Enquanto isso os americanos assinaram um acordo de retirada das tropas do Iraque até 2011. As autoridades e as pessoas mais sensatas no Iraque dizem que é muito cedo para a retirada dessas tropas. Mas Obama com um senso infalível de oportunidade disse que iria retirar as tropas de lá. Para alocá-las no Afeganistão. Mas já sabemos que grande parte dos soldados americanos permanecerão lá, só que com outros títulos, do tipo: consultor, instrutor etc. E ao falar desse lado do mundo, não podemos esquecer que esse ano um passo decisivo para a islamização da Europa foi dado. Vide o fricote dos mulçumanos em escolas britânicas que atacaram o ensino do holocausto. Uma tevê sueca abriu um programa que é apresentado por três mulçumanas, que chegam as raias da loucura de dizer que os suecos que têm de se adaptar aos modos deles, e não o contrário, quando falavam da imigração mulçumana para o país e o conflito de costumes. Um livro fundamental para o entendimento desse fato é A Tirania da Penitência, do pensador Pascal Bruckner, que foi lançado esse ano aqui no Brasil.

O tema é tão pertinente que todos os filmes de ação e intriga política de Hollywood que se pretendem se alçar da mediocridade nos últimos anos passa pelo islã. E mesmo quando não tocam o assunto diretamente pegam o enredo para se alimentar de seus frutos. Assim, um dos melhores filmes do ano, Batman O Cavaleiro das Trevas, bate na tecla do terrorismo. O Homem de Ferro, considerado pelos críticos como um bom filme, começa com o protagonista sendo seqüestrado por mulçumanos. O filme Rede de Mentiras trata diretamente do assunto. O Traidor também. Só para citar alguns filmes de grande porte que se utilizaram desse tema. Saindo da esfera global e retornando para a nossa terrinha o destaque vai para a continuidade das produções nacionais que privilegiam a temática do pobre e do excluído. Parece não ter fim essa vontade inesgotável de procurar histórias de crimonosos, pobres, coitados da periferia que não tiveram a chance... Ônibus 174 é o representante brasileiro para o Oscar de 2009, e resume perfeitamente nosso clima cinematográfico.

Mas esse clima de coitadismo não é novo. Deveríamos estar acostumados com ele. E o pior é que estamos. Quando vemos um criminoso que é pobre e miserável é bem capaz que o absolvamos com bases em psicologismos baratos ou ao imputar a culpa no sistema cruel. E automaticamente já consideramos empresários pessoas do mais baixo teor moral, corruptíveis etc. Essa mentalidade é notável e está disseminada pela sociedade. Assim, nossos políticos corruptos também são vistos como pessoas imorais, mas consideramos que eles estejam jogando o jogo político, e por isso é plausível que isso aconteça. Que não existe mais jeito de não ser assim e roubar é comum, ordinário. Pelo imaginário popular podemos ver exatamente o que se passa na esfera política, muita roubalheira.

Começamos com nosso expoente internacional de maior envergadura. Esqueça os esportes, esqueça nossos acadêmicos, esqueça nossos músicos, o nosso maior expoente internacional esse ano foi Andréia Schwartz, cafetina brasileira que atuava nos EUA e foi um dos motes da renúncia do governador de Nova York. Foi a brasileira que causou mais efeito fora das bordas de nosso país. Enquanto o mundo gira em tormentos maiores nós nos comprazemos em nos comover com acontecimentos de baixo calibre. Assim o ano foi marcado por alguns eventos que isoladamente nada seriam se não mais uma manifestação da baixeza humana, mas ampliados e retratados do jeito que foram pela nossa mírdia ficamos acuados diante de nossos televisores como se aquela realidade soçobrasse por todos os cantos da realidade.

O casal Nardoni foi acusado de ter jogado a filha pela janela, uma criança de 5 anos. Na verdade ninguém nunca saberá o que aconteceu. Com a exposição da mídia que já de cara os acusou de assassinos, eles serão condenados. Menos um ponto para a imparcialidade da justiça brasileira. Pois me diga, quem é que vai, em sã consciência inocentar o casal? Se toda a mídia já os julgou como culpados, ninguém irá se opor a esse veredicto. Assim outros casos de crianças que foram jogados pela janela apareceram e ficamos achando que brasileiro é mau, e joga crianças pelas janelas. Outro caso de repercussão nacional foi do jovem Lindenberg que seqüestrou a namorada e uma amiga. Diz-se que foi pelo término do namoro. De qualquer jeito a Eloá foi morta, numa invasão meio controversa da polícia a troca de tiros acabou com essa morte. Outro caso de relevância, menor, foi o do jovem Daniel Duque que foi morto a tiros na saída de uma boate, diz-se que um PM a paisana que acompanhava outro rapaz o matou. E temos o caso de Sílvia Calabresi Lima. Ela foi presa porque torturou crianças, e a própria “filha”. Assim o ano foi permeado por quatro casos acidentais que tornaram-se o molde pelo qual as pessoas passaram a avaliar o estado das coisas.

Além de Obama e a crise financeira que só foram dar as caras de setembro em diante, tivemos a China. Os jogos olímpicos foram em Beijing. Repórteres reclamaram dos bloqueios de sites em território chinês. Os conflitos com tibetanos antes do início dos jogos não foi suficiente para embarreirar os jogos. Na abertura da Olimpíada a China contou sua história. As tradições milenares, seus costumes etc., mas ignorou o período da Revolução Cultural. Mao-tsé foi sumamente apagado da história. Ao invés de encarar o problema, jogou-se a sujeita pra baixo do tapete. O Partido Comunista não ia explicitar sua grande inconveniência de 70 milhões de mortos e todas as grandes tradições culturais destruídas. Mas exaltou sua tecnologia, sua abertura para o mundo capitalista. Fazendo assim a síntese do movimento comunista atual. Não interessa mais os mercados, a briga agora não é mais pelo dinheiro, e sim pela cultura. Ao ignorar o processo mortífero de sua revolução comunista o PC da China fez exatamente como nossas mérdias, abafou o caso. Ninguém sabe, ninguém viu e por isso não existe, ou existiu.

Do oriente passamos ao ocidente, nessa parte reduzida que chamamos de América Latina, cujo ano foi frutífero para os movimentos comunistas revolucionários. O Equador aprovou uma constituição feita no estrangeiro. Esta constituição equatoriana vem com todos os tópicos do programa mundial da ONU. Além desse ato meio maluco do Correa ouve a crise diplomática com o Brasil. A coisa envolvendo a Odebrecht terminou no chamado do embaixador brasileiro do Equador para avaliar o problema, ato que não foi bem visto pelo governo equatoriano. Já a Venezuela ordenou em março a expulsão do embaixador Colombiano devido à crise diplomática que envolveu a Colômbia e o Equador. O exército colombiano invadiu terras equatorianas para prender, ou matar, o número 2 das FARCs, Raúl Reyes. Em setembro o mesmo governo Venezuelano expulsou o embaixador americano. Dessa vez foi em represália à expulsão do embaixador boliviano de Washington. Que foi uma represália à expulsão do embaixador americano na Bolívia, cujo governo associou às manobras da oposição. O eixo Bolívia-Equador-Venezuela está criando um verdadeiro governo comunista unificado por essas bandas. Eles aprovam o que querem, manipulam livremente as democracias que insistem em dizem serem legítimas. Se Lula não fosse o fundador do Foro de São Paulo e tivesse contato direto e articulado com todos esses governos seria difícil pensar porque apoiamos esses loucos revolucionários. Com o quarteto Brasil, Equador, Venezuela e Bolívia nada mais nos separa dos anos vindouros que só podem se mostrar perigosos para a liberdade, para a democracia, para os valores mais caros que nutrimos, para todas as religiões sérias e para um funcionamento saudável do nosso modo de vida. Não é à toa que o governo americano foi ignorado no encontro que aconteceu dia 17 de dezembro da Costa do Sauípe, de chefes de estado que participam do Mercosul, não sendo essa reunião diretamente associada ao Mercosul o governo americano se viu pela primeira vez desprestigiado. Agora ele percebe o erro que cometeu ao deixar os revolucionários agirem livre e impunemente por essas bandas.

Com todas essas coisas graves explodindo debaixo de nossos narizes parece, pelos comentários dos comentadores políticos, que nada vai mal, que tudo está bem e que tudo isso não passa da mais normal realidade acontecendo. Assim de tudo o que há de errado na América Latina vamos ter crises com a Espanha, que embarreirou a entrada de vários brasileiros em aeroportos do país. Adotando uma reciprocidade o Brasil também aumentou o nível no “processo seletivo” que deixa estrangeiros espanhóis entrar aqui. Só que quem perde mais adotando tais medidas o Brasil nesse fim de mundo ou a Espanha que em nada depende de nós?

Que a UE já está de conluio com as forças revolucionárias na América Latina não resta dúvida. Basta ver que em julho, se não me engano, o presidente francês Sarkozy ganhou um cargo importante dentro da União Européia, e foi justamente uma ou duas semanas depois que ele assumiu esse cargo que a Betancourt foi liberada pelas FARCs. E recebeu os louros de ter intermediado as negociações. Com os EUA em franca decadência política em termos de articulação e influência no mundo, a União Européia está se deixando islamizar. Está fazendo vista grossa para a expansão russa e tenta se enturmar com a China. Esse processo é deveras preocupante e um novo quadro global de influências políticas está sendo montado. Quando todo o mundo terrorista, esquerdista, revolucionário e comunista aplaude o presidente americano eleito, alguma coisa está errada.

Esse estado de coisas é ajudado diretamente pela ONU. Como todos sabemos a ONU é um órgão internacional apátrido. E pode-se ler diretamente em sua carta constituição que ela não pode interferir em processos internos soberanos dos países. Mas no meio do ano veio um cubano para o Brasil reclamar, com a chancela da ONU, que está na hora do país rever seu posicionamento em relação com os crimes da ditadura. Incrivelmente essa revisão só trataria de rever casos de militares e nunca de militantes. Assim Fidel por questões de saúde renunciou ao governo cubano, seu irmão Raúl Castro assumiu e já fez algumas modificações no quadro econômico cubano. Abriu o mercado para a venda de eletrodomésticos. Essa cartilha é lei. Todos os governos comunistas estão abrindo seus mercados ao capitalismo, ele nada mais fez que seguir o óbvio. Ao mesmo tempo o Brasil, como articulador mor da América Latina disse que agora os EUA devem rever seu posicionamento em relação ao governo cubano. Mesmo antes de Cuba fazer uma revisão de seus crimes e se inserir no âmbito internacional dos direitos humanos. Se a fachada muda devemos alguma modificação em relação à estrutura? Jamais. Mas assim é cobrado.

Mas enquanto esse oba oba revolucionário é posto em prática a todo vapor, os órgãos internacionais regozijam. Assim podem desestruturar os países a hora que quiserem, mas jogam um jogo perigoso, pois se acham no controle da situação, que está longe de ser facilmente contornável. Realmente isso tudo não tem importância, pois a agenda internacional vai muito bem obrigado! Um passo decisivo que foi dado esse ano é a briga pela demarcação em terras contínuas da reserva Raposa Serra do Sol. Dada aos índios e às ONGs que lá atuam. Essa reserva possui a quase totalidade das reservas conhecidas de nióbio no mundo, assim como inúmeras outras riquezas incalculáveis. Dizer que temos que dar terras aos índios é uma falácia do pensamento torto. Ainda mais quando essa área é do tamanho do estado de São Paulo, visa abrigar uns 20 mil índios e faz fronteira diretamente com a Venezuela, que incrivelmente possui uma reserva na mesma divisa. Atuando dessa forma as organizações internacionais que lutam pelos direitos dos índios não fazem nada mais que tirar pedaços de países e dar autonomia para uns tantos explorar aquelas áreas.

Seguindo essa mesma linha o governo brasileiro segue à risca esse projeto da ONU, o chamado Desenvolvimento do Milênio. Segue à risca o projeto da ONU para reformulação da educação, criando um bando de militantes preocupados com o meio ambiente. Abolindo do ensino todas as matérias fundamentais para o pensamento, e colocando apenas aquelas que ajudam ao desenvolvimento do pensamento revolucionário. Assim o Brasil compra anualmente livros mais impróprios para a distribuição nas escolas. Esses livros exaltam as maravilhas do comunismo, do socialismo, atacam diretamente os maus e vis empresários e o capitalismo perverso, enaltecem a luta do ecologismo e faz campanha direta para o PT. Esse tipo de declínio mental estrutural é notável nos vários testes que os alunos brasileiros despontam em quase último lugar, nos piores desempenhos mundiais. Nossas crianças não estudam, não pensam. Pesquisa esse ano mostrou que 80% dos brasileiros são analfabetos, ou analfabetos funcionais. Em oito anos de governo FHC, que é o fundador do Diálogo InterAmericano, e nos oito de Lula, fundador do Foro de São Paulo, só tivemos uma linha de queda acentuada no nível mental dos estudantes, e consequentemente dos professores, em 16 anos o Brasil foi pro lixo.

Basicamente tudo que falei até agora é um resumo bom do ano, e como que os fatos desse ano repercutem na série dos anos passados que culminam nesse, e como deve ser avaliado para que façamos algo de contundente, com conhecimento de causa sobre o que se passa ao nosso redor. Infelizmente mais da metade da mérdia brasileira se dedica exclusivamente ao entretenimento. E grande parte dessa mírdia trata de esportes. Alguns dizem recorrentemente que o esporte é o alívio do povo, é o ópio, é o circus. E se isso é realmente certo devemos ficar preocupados, pois até nos esportes o Brasil nada faz de bom, contundente. Nas Olimpíadas nosso querido amado país ficou atrás da Etiópia, do Quênia, da Jamaica, da Romênia e da Polônia. Dunga fez o favor de esculhambar nossa seleção e perder/empatar vários jogos das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010 deixando claro que nosso time está ruim até o talo. Massa ficou no quase na Fórmula 1, em grande parte a erros grotescos da escuderia Ferrari. Romário se aposentou. Guga se aposentou. E nosso maior símbolo futebolístico dos últimos tempos foi pego com travecos e cocaína em um motel. Ainda, nosso Campeonato Brasileiro de futebol só nos faz envergonhar com as atuações esdrúxulas dos árbitros e bandeirinhas, errado de maneira deliberada, roubando de maneira escancarada. Ao mesmo tempo que nossos dirigentes só querem saber de dinheiro e tratam de crises nos times como ótimas temporadas de fazer dinheiro, negociar jogadores, fazer tramóias etc., se assim continuar o povo brasileiro ficará sem seu circus... só sobrará a luta pelo panis.

Assim terminando essa retrospectiva terminamos na luta pelo panis diário do brasileiro que teve que aturar greves de bancários e dos correios. Em alguns lugares de médicos. Teve que aturar diariamente os casos de violência nas escolas, onde alunos descontrolados além de não estudarem impedem que outros o façam e agridem professores. Ao mesmo tempo em sua luta eterna pelos coitados Lula sanciona a licença maternidade de 6 meses, cria uma lei de alimentos gravidícios. Ao mesmo tempo que essas duas leis pretendem beneficiar o povo só mostram sua forte tendência de prejudicá-los. Temos que ver o uso indevido do dinheiro público no escândalo dos cartões corporativos. A crise interna do governo com sua agência de informação, a Abin, com escutas telefônicas em altos funcionários dos poderes governamentais, agência essa que de uma hora para outra teve toda sua cúpula renovada. Temos que ver o roubo de dados sigilosos da Petrobrás, e a fortuna instantânea que o Soros conseguiu ao entrar no mercado nacional comprando ações que iriam subir descontroladamente dias depois pela divulgação da Petrobrás de dados sobre o pré-sal. Temos que ver parlamentares aumentarem os próprios salários, tentarem aumentar as vagas para vereadores no país inteiro, inflando os gastos públicos em tempos de crise. Temos que ver a CPMF sendo extinta, mas imediatamente a criação de outro imposto para tomar o vácuo deixado.

Enfim a retrospectiva é dura, é medonha e abrange tudo de mais problemático que passou nesse ano. As coisas boas? Apontem uma comparável ao problema gigantesco que passamos e veremos se pode ser enaltecida. Como disse no começo desse texto a situação é grave. E só com base no conhecimento da coisa mesma é que poderemos tomar atitudes para mudar isso. Esses falsos otimistas não me enganam, em tempos em que as coisas ruins se amontoam e as boas nem se comparam em importância a força é primordial, a determinação é essencial, o conhecimento é fundamental. E para isso serve uma retrospectiva. Feliz ano novo a todos que leram esse singelo retrato do ano que passou, e força para aturar o próximo.