Ponteiro invisivel do tempo forasteiro

No quarto sombrio a menina enfadonha de si propria, de seus pensamentos tentando fugir, olhos fechando a nao ver o que se passa, inerte fingindo-se de morta-viva...

Mas o que haverá de ser, agora? O caminho não parecia terminal,pés nao conseguiam caminhar descalços sem se machucarem. Tudo feria. Os joelhos , dobrados em prece dormiam e doiam de dor do coração sangrento Sentada em sombra de aflições, soava uma canção aguda de suspiros breves, puros lamentos folheando saudades borradas em cadernos antigos, aposentados por invalidez do tempo forasteiro, sem ponteiros a medirem açao tardia ou acelerada... Rascunhos de amores que pelo esquecimento optaram, impossiveis por falta de tentativa bravia. Ela, menina falida, derrotada sem guerrear, viçosa sem perfumar, tecia novos e timidos sonhos nos cantos dos olhos, apenas nos cantos, enquanto juntava seu corpo para tentar escapar de um frio que insistia em morar em seu quarto, por mais cobertores jogados ao léu e inumeros agasalhos jogados ao corpo. Porque hà o frio que nao esquenta, é um frio que vem de dentro, inibindo a vontade, a coragem, a ância,a esperança, o proximo passo... Se là eu estivesse, diria à tristonha e ingrata menina: Que tal nao medires o tempo, rendendo-se a ele? Que tal tentarares ultrapassà-lo, antes que ele te atropele irreversivelmente?

Grenoble-Fr-09/05/2006

Inês Marucci
Enviado por Inês Marucci em 09/05/2006
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