FRUTO DOCE E AMARGO

Fruto doce dos anos nos lábios do tempo, onde o passado percebe a força do vento; - e da sabedoria que a experiência causa - sei da vanguarda embevecida à revelia de uma tirania incestuosa.

Ergofóbico – herdeiro de grande casta maltrapilha, filho bandoleiro infestado de amargues. Por vezes se imiscuem onde o trabalho prospera para enfraquecer os alicerces da criação fecunda e farta com a sanha maldita da sua promiscuidade infame e resoluta.

Eles são - totens em meio a criptas - que rosnam gargarejando suas vidas, vivenciadas na mediocridade, lançadas nas chamas da hipocrisia. Ninguém pode se dizer imune a esses trastes que corrompem e esparramam a dor mais doída que põe ao leito a alma sensível e generosa.

Creio nas mandalas de fogo que saem dos corações ciganos, que erguem sua bandeira de liberdade – dando às mulheres passagem, para serem cultuadas de verdade... Pelo que são na sua simplicidade resoluta e produtiva,tanto na arte, na literatura, quanto na cozinha ou no afago de um quarto solitário.

Enojo o soberbo rei que engatinha em turbilhão de lendas - fazendo-se nobre em uma tenda. Quanta podridão!

Antes cultuasse a humildade do suor, do labor das próprias mãos que busca o sustento da prole faminta, sem mamar até sangrar as tetas da viúva desfalecida de nadar contra a maré.

Que holocausto! Não acredito em quem balbucia palavras soltas no ar – sobre o amor enlameado de gozar. O gozo que engoma, rebuscando letras com impermeável desejar – algo trazido de outrora?

Não há como não duvidar desse engodo que fabrica cemitérios, favelas e caminhos obscuros matando a natureza tão bela e cerceando o grito sofrido e calado da vida.

Ora, chega! Quem nunca sentiu o gozo da verdade? E que rufem os tambores! Todo o poeta é selvagem – um eterno caçador – feito de carne, osso e tempestade!

Dê a ele o espaço e o mérito para que sua voz profetize melhor qualidade de vida no planeta. Com esperança de que no meio da lama possa vir nascer uma flor e dela um novo jardim a perfumar os ares.

Duo: Luciana Rocha e Hildebrando Menezes

Navegando Amor
Enviado por Navegando Amor em 31/08/2011
Reeditado em 31/08/2011
Código do texto: T3193052