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DAS CICATRIZES QUE CARREGAMOS

Quero que minhas cicatrizes permaneçam no lugar merecido de cada uma delas. Quero que aproveitem o status de terem sido um dia algo importante para mim, e que se orgulhem disso. Quero que façam valer a pena terem “nascido”. Quero que sejam eternas.

Entendo que as cicatrizes formam nossas experiências. Nos relembram os caminhos pelos quais percorremos, e nos fazem, por vezes, ponderar a respeito de alguma decisão a tomar. Entendo que cada cicatriz foi construída à base de muita dedicação, e que por isso ostenta o tal status de “algo importante”. Entendo, enfim, que elas são parte de nosso trajeto, que percorrem lado a lado conosco cada dia de nossas vidas e que são inerentes à nossa personalidade (ou pelo menos influenciam na formação da mesma). Entendo, entendo mesmo.

Mas o que não compreendo, e nem quero aceitar, é que essas mesmas cicatrizes pautem o meu futuro. Não quero que sejam como anciãs para as novas cicatrizes que estão sendo formadas. Não quero que sirvam de exemplo nem de modelo. Não quero que sejam a única referência que terei de algo que passou. Não quero, simplesmente não quero.

Por isso anseio tanto em acertar. E por isso não tenho medo, nem vergonha, de errar. Porque sei que as cicatrizes me permitem falhar, e que essas mesmas cicatrizes são as que, de uma forma ou de outra, tampam minhas feridas, caso o tombo que venha a tomar seja tão violento que acabe por me machucar.

Cicatrizes são marcas que temos de carregar pelo resto de nossas vidas. Apenas isso, nada menos...


São Paulo, 02 de Fevereiro de 2007.
Bruna Pattiê
Enviado por Bruna Pattiê em 02/02/2007
Reeditado em 03/08/2007
Código do texto: T367706


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Sobre a autora
Bruna Pattiê
São Paulo - São Paulo - Brasil, 38 anos
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Bruna Pattiê