DE QUEM É A CULPA?

A crueldade grassa
pelas ruas e praças.
Vidas entregues
às balas perdidas.
Dor que se segue,
inocência agredida.
Mártires inúteis
de tantas leis fúteis,
jamais cumpridas.
A notícia nos jornais,
a dor dos pais,
a criança morta...
Mas quem se importa?
Fatos, feitos naturais.
A vida continua
nos becos e cafuas,
onde os expectadores
de sua própria exclusão
planejam a próxima ação
para cobrar da sociedade
a justa devolução
da dignidade perdida
para uma minoria convencida
de que é a dona da nação
e que anda despercebida
de que o sentido da vida
se chama fé, partilha, distribuição.