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"Anna, não chore.."

          Pediu-me com as lágrimas descendo em seu rostinho

          que escrevesse um poema com o título "Felizes para

          sempre".

          Mesmo eu sabendo o quão significativo é para ela, não

          consegui imaginar ser feliz "para sempre", pois o meu -

          sempre já se acabou.

          A minha consciência de "gente grande" fez eu ver um

          mundo descolorido, e não quero pintá-lo de rosa e azul

          somente para fantasiar algo inexistente: o sorriso dela

          não pode e nem deve ser momentâneo, tem que ser -

          duradouro.

          Pensei em matar-me de uma vez, mas agiria como uma

          egoísta. Resolveria o meu problema e agravaria o dela.

          Não cito quem nos faz sofrer, pois de homem tornou-se

          animal, de pai tornou-se assassino e de amante tornou-

          se algoz.

          Tenho que matar-me para que o retrato do "Felizes

          para sempre" torne-se real? As minhas noites têm sido -

          dolorosas e vastas, se arrastam pela madrugada a insônia

          e entre pesadelos adormeço, de olhos bem abertos.

          Queria o silêncio desta madrugada se rompesse com clarins;

          Queria vagar por entre as nuvens e assistir à vida passando;

          Queria ser a lembrança boa no despertar de uma linda manhã.

          Eu padeceria feliz se a vida lhe sorrise, se o mundo a confor-

          tasse e se os meus erros não fossem, num futuro , o motivo

          da sua angústia.


* Anna, não consegui cumprir o seu pedido, não saiu a poesia onde eramos três. No meu sofrimento, que apenas eu devo sentir, deixei
de incluí-la, para que não mais sofresse. Qualquer dia você lerá isso
e entenderá o porque sempre te poupei dos "assuntos de gente gran-
de".... Lembra-se do monte de porcarias que eu tirei da sua cabecinha
com o meu dedo? Eu as engoli, fiz cara feia, mas engoli... e se fiz isso
foi para privá-la das maldades dos adultos, mas não deixei de lhe con-
tar de onde elas vinham e nem muito menos quem as colocou.
Lembra-se dos erros que eu cometi? Se algum dia você se encontrar
em situação similar, antes de agir: reflita, reflita e reflita. Eu não tive
tempo de pensar, agi e depois olhei para trás e percebi que havia caído
e que eu havia machucado por demais, as consequências ? eu carrego
até hoje, mas me orgulho de ter levantado e de ter continuado a caminhar....
Meu coração não vai explodir, não agora! eu preciso torna-la mulher... torná-la vencedora... e se eu não conseguir dar-lhe o meu todo, não
descansarei em paz!
Querida, o seu desenho ficou lindo! Pena que eu o manchei todo com
minhas lágrimas....

Eu te amo demais, menininha
Anita Fogacci
Enviado por Anita Fogacci em 06/07/2007
Reeditado em 10/01/2008
Código do texto: T553930


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Sobre a autora
Anita Fogacci
Cabreúva - São Paulo - Brasil, 48 anos
534 textos (40516 leituras)
1 e-livros (267 leituras)
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Anita Fogacci