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Dias

Não ouses jamais cantar a minha hora
Ao sentires o insistente repicar dos sinos,
Recorda para sempre as palavras escritas
E as passagens mais bonitas
Do brincar alegre dos meninos,
Do silêncio que não me deixa ir embora.

Gargalha graciosamente neste dia grotesco
Que alimenta essa demente alegria,
Essa energúmena fraqueza mundana,
Ópio que te suga a essência humana.
Tu! Ser rastejante da longínqua periferia,
Disforme, monstruoso... dantesco.

Devolvo para ti as pragas maldizentes
Aquelas que te conspurcam a impoluta alma,
Desejo-te o limbo para a eternidade,
Sem nunca esquecer quão bela amizade,
Os teus conselhos que me trouxeram a calma,
Todos aqueles momentos de crises deprimentes.

Aconchegaste-me com histórias de embalar
Com o carinho próprio de quem gosta sem interesse,
Com esse teu terno olhar perdido e distante
Que afastei como se fosse algo repugnante,
Como se o todo o mundo me pertencesse.
Tempestade que me baralha nesta vida virtual.
sumadartson
Enviado por sumadartson em 23/08/2007
Código do texto: T620396

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Sobre o autor
sumadartson
Portugal, 47 anos
48 textos (942 leituras)
1 e-livros (21 leituras)
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