O CORREDOR NO MAR VERMELHO

Percebemos com facilidade a evolução da Humanidade, assim como percebemos a nossa própria evolução pessoal, porém ambas na esfera racional. Mas isso não ocorre da mesma forma na esfera espiritual. Neste segmento, através da nossa racionalidade, nos orientamos por meio de crenças e superstições, que nos são transmitidas desde a nossa infância, sobre as quais vamos acrescentando, modificando ou substituindo as nossas próprias convicções, conforme avançamos na construção da nossa evolução pessoal. Porém, essa construção é cheia de dúvidas e incertezas, que não conseguimos esclarecer de forma a satisfazer cabalmente a nossa inquietude espiritual. Exatamente neste ponto, temos o enorme espaço ocupado pelos teólogos, filósofos e outros pensadores, os quais elaboram conjecturas e especulações, na vã tentativa de preencher esse profundo vazio da existência humana.

Na verdade, esse espaço vazio é o grande “Mar Vermelho” que separa a escravidão do mundo material administrado pela Razão, da plena liberdade usufruída pelo espírito que obteve a Graça do “novo nascimento”. O grande problema que se apresenta para a Razão é como atravessar o “Mar Vermelho”? Como e onde encontrar o “corredor” que separa as águas?

Nesse sentido, sem que haja explicações racionais, ocorrem fenômenos na esfera espiritual, através de insights que eclodem como explosões na mente humana, como se fossem produzidos pela intuição, possibilitando a idealização e a compreensão de eventos que jamais seriam acessíveis à racionalidade, seja pela sua magnitude, seja pela sua simplicidade. A expressão e a compreensão desses insights, que representam o “corredor” que separa as águas, dependem da sintonia espiritual (I Cor. 2;14,15) entre os que recebem os insights e conseguem expressá-los, e aqueles que desejam e conseguem compreendê-los. Essa sintonia somente se estabelece mediante a ocorrência do mais importante de todos os eventos espirituais para os homens: o “novo nascimento”, conforme João 3; 3, 5. Mas... João 15;16 – Não fostes vós que me escolhestes; pelo contrário, eu vos escolhi e vos designei a ir e dar fruto.

A evolução espiritual do Ser Humano, rumo ao “novo nascimento”, foi exposta no início, de forma ainda concentrada e restrita, sendo exibida através dos Profetas primitivos do Velho Testamento, ampliando-se posteriormente, e se generalizando de forma totalmente descentralizada, a partir do evento Pentecostes (Atos 2;1 a 12), como efeito da incorporação da Segunda Aliança (a Graça), passando a ocorrer progressivamente a impressão das Leis Divinas na mente e no coração dos homens, concedendo-lhes o discernimento espiritual mais amplo e profundo, como características específicas do “novo nascimento” (I Cor. 2; 9,10), pois o homem, antes de nascer de novo está morto espiritualmente. Porém, quando a Promessa “... na mente lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei...” (Jeremias 31;33 e Hebreus 8;10) é cumprida, ocorre, ao mesmo tempo, o nascimento de Cristo e o Novo Nascimento do homem (no espírito) (Efésios 2;4 a 9), que a partir daí passa a viver em sintonia com o Espírito de Deus. O cumprimento da Promessa, portanto, é a concretização da Nova Aliança, quando Cristo ressuscita dentre os mortos (que somos nós), nos quais Ele também estava morto. Essa Promessa da vinda de Cristo, para a formalização da Nova Aliança, foi anunciada pelo Espírito, quatrocentos e trinta anos antes da vinda da Lei, que depois foi acrescentada para coibir as transgressões, até que viesse o Descendente, e a Promessa se materializasse na unção espiritual (Gálatas 3; 14 a 19).

A vinda do Descendente (Cristo), concretizada na unção espiritual, é o apogeu da evolução espiritual do homem no conhecimento de Deus, cujo conhecimento se instala na mente em conjunto com a Fé (Gálatas 3; 22 a 27 e Efésios 2; 8, 9), determinando o momento do Novo Nascimento do homem, que é o “salvo-conduto” para a travessia do Mar Vermelho rumo à “Terra Prometida”, e também o marco a partir do qual o nascido de novo passa a ter acesso (em espírito) às profundezas do conhecimento de Deus, conforme já foi antes indicado, em (I Cor. 2; 9, 10), o que é de difícil compreensão pela racionalidade humana, como esclarecem os versículos 11 a 16 desse mesmo capítulo.

Podemos concluir, esclarecendo a metáfora da peregrinação pelo “deserto”, com o povo fugindo da escravidão, rumo à liberdade, que o Novo Nascimento é o “cajado” de Cristo, que toca as águas do Mar Vermelho, abrindo o corredor para a travessia que conduz à Terra Prometida, o Reino de Jesus Cristo.

João 3; 3,5 – Jesus lhe respondeu: Em verdade, em verdade vos digo que ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo. Em verdade, em verdade vos digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

Edgar Alexandroni
Enviado por Edgar Alexandroni em 26/02/2018
Código do texto: T6265093
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