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O tempo não pode ser sua desculpa…

Disse para mim que daria uma pausa nos textos, mas é difícil ficar sem escrever, quando se ama a arte de tecer.. E dane-se quem pensa que sou uma pessoa apegada a regras coercitivas. Ou quem pensa que sou mais variável que a corrosão do tempo. Nós temos uma existência, justamente para cuidarmos dela até sua expiração. E cada existência é única, portanto, cada um tem o dever de cuidar da sua. Esse pedaço de realidade é individual. Entretanto, deixando de lado essa observação… Gostaria de prostrar uma reflexão para quem quiser pensar sobre. O título aparenta provocação, mas é uma realidade que muitos de nós acaba ignorando e tornando um vício que se sobrepõe às nossas fraquezas para atenuá-las. O tempo não pode ser desculpa para deixar de fazer algo. E essa reflexão se baseia em mim também, que muitas vezes quis mudar coisas na minha vida, com a premissa de que precisava evitar algo por não dar tempo, ou até mesmo para não perder tempo. Mas, isso foge do nosso controle. O tempo é cruel para todos nós. Ele passa, deixa suas marcas e nunca traz renovação. Ele dilacera nuances antigas e deixa novos rascunhos que futuramente serão dilacerados até que não sobre nada. Sei que aparenta pessimismo tal avaliação, mas, já dizia Machado de Assis no livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, num capítulo solto, a seguinte frase: “matamos o tempo; o tempo nos enterra”. É inegável que o tempo sempre irá vencer, e conforme ele passa, nós iremos perder e descer os degraus da vida… Ele continua passando sem parar na sua contagem eterna e voraz. Mas, nós não temos a imortalidade. E matar o tempo “fingir-se de neutro por longos anos – sendo eufêmico” é treinar a morte, que é algo inevitável. Por isso precisamos agir para viver. Para sentir a vida. E é para isso que precisamos aprender, errar, mudar, acertar e depois errar de novo, ganhar, perder… E assim vai, até o fim da efemeridade. Precisamos ter coragem e arriscar! Faz parte da vida. Ninguém aqui é perfeito, nunca será e terá uma infinidade de imperfeições à serem moldadas até a expiração. Então, nada nos dá o direito de apontar os defeitos dos outros, até porque já diz um clichê muito propagado de que algumas imperfeições são o reflexo do que fazemos inconscientemente; o outro me causa incômodo, porque ele é o espelho do que faço sem assumir convictamente para mim que aquele é meu reflexo. Então, tudo o que visa externar as imperfeições alheias é hipocrisia. Porque cada pessoa tem sua singularidade e precisa caminhar sozinho para “conhecer a si próprio”, uma das máximas socráticas; desse modo, quem somos nós para acelerar ou retardar um processo que não é nosso? Já disse… O tempo vai nos vencer. Isso é inato. Entretanto, não pode ser justificativa para nada que não esteja vinculado a viver… Porque ele vai passar. Então, viva no seu tempo, no seu ritmo… Se quiser correr, corra! Se quiser descansar, descanse! Se precisar pausar… Pause! Mas, o importante é você estar bem consigo e se esforçando para se conhecer e para não interferir na existência dos outros. É egoísmo querer viver ou coagir várias existências. No final, você não estará vivendo nada. E no fundo, não terá descoberto o êxtase do encontro com você mesmo. Quem é você? Será que está fazendo o que realmente quer? E por que corre tanto? É pra poupar tempo? É para passar o tempo? Mas, será que vale a pena correr tanto? Ou será que é apenas um sentimento coletivo de angústia por saber que não somos eternos? Não sei quais são suas respostas… Porém, sei que não ligo mais para o tempo. Ele não quer parar de passar e de levar tudo o que é meu. Só que não uso sua corrosão para justificar o que não deu certo, tampouco, para acelerar o que não se pode acelerar. Lembro-me sempre que o tempo não pode ser voltado ou avançado. Então, dessa vez… Vivo o agora, com a realidade do hoje, com as pessoas que amo hoje. Já errei muito, e não vou parar de errar. Pois, estou em construção e aceito as transformações. Só que hoje… Eu tenho tudo o que me faz bem, e não estou com pressa de perder tudo isso. As coisas vão acontecer no tempo certo… Só continue errando, acertando e tentando ainda mais… Porque tudo passa… Até os fracassos.
Alexandre Alves Porfirio Vieira
Enviado por Alexandre Alves Porfirio Vieira em 12/04/2018
Reeditado em 12/04/2018
Código do texto: T6306151
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Alexandre Alves Porfirio Vieira
Santo André - São Paulo - Brasil, 28 anos
57 textos (2306 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 12/11/19 16:28)
Alexandre Alves Porfirio Vieira