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Fratura na alma....

    O luto não é uma dor dentre tantas outras, simplesmente; não é parte da existência,  a compartilhar "espaço" com outras sensações,  o luto é a própria vida, toda ela, transfigurada, por um tempo, em dor.  É a dor da alma amputada, a reclamar por algo de sua própria essência, que lhe fora arrancado. É como o fogo quando se une ao metal: o metal continua existindo, mas é de tal modo absorvido pelas chamas que nada se pode enxergar além delas.... Ao nos despedirmos, para sempre, de quem amamos, nós nos despedimos também de nós mesmos: da pessoa que éramos, do tempo bom que não voltará mais, a não ser através da lembrança e da saudade.  Essa fratura profunda no espírito não pode ser amenizada senão com o tempo, que não pode ser matematicamente estabelecido. Cada um tem o próprio ritmo de reinserção na vida enquanto vida...  Com o tempo, a dor não deixará de existir, mas terá que dividir espaço com novas dores e novas alegrias; não se tornará menor: é o ser que a detém que crescerá para além dela, que encontrará em si razões para continuar vivendo, e não apenas existindo.
    A Fé na vida eterna, na imortalidade da alma, na eternidade da consciência, na ressurreição, é um grande consolo, representa uma esperança viva de um reencontro para além do tempo e do espaço,  entre corações cujo amor transcendeu os limites dessa vida e tocou os céus, se eternizando. No entanto, ao menos aqui na Terra, somos também corpo, temos a necessidade de ver, falar, ouvir, tocar e ser tocado, é natural que a separação física provoque dor. A Fé não impedirá que a dor se estabeleça, mas através dela podemos entrever que a dor não é o termo final, embora o pareça, pois temos a tendência de confundir intensidade com duração: tudo o que é por demais intenso, parecerá também eterno, se o nosso olhar não se voltar para a imensidão de horizontes que a Fé pode oferecer....
    "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas...": Na verdade, corremos sempre o risco de perder parte de nós, quando alguém que amamos vai embora, mas que sentido teria a vida sem o amor? Este é o preço que pagamos pra continuarmos vivos: vamos deixando nossas centelhas pelo caminho.
    Tenho saudades de um tempo em que, nos braços de meu pai, conseguia repousar numa confiança absoluta: um tempo em que eu tinha a vida inteira pela frente, mas não sabia que, ao longo dela, teria que deixar tantas outras vidas para trás!
Cesart
Enviado por Cesart em 12/07/2018
Reeditado em 12/07/2018
Código do texto: T6388538
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Cesart
Formiga - Minas Gerais - Brasil, 36 anos
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