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     Mais uma vez, Rui Barbosa

     Estudando Rui Barbosa, num primeiro momento poderíamos concluir que ele foi um homem situado adiante de seu tempo. Mas se olharmos com cuidado sua vida, podemos facilmente concluir que na realidade ele viveu fora de lugar.
     Boa parte de sua inteligência foi ocupada com questões insignificantes de um país que nunca conseguiu encontrar seu rumo.
Seu acentuado senso de justiça se contrapunha com a noção vigente (até hoje) de que as oportunidades sempre são mais relevantes do que as leis e as regras em geral.
     Se ele tivesse vivido na Europa, por exemplo, talvez hoje seu nome estivesse na lista dos maiores pensadores da Humanidade.
 
     Rio de Janeiro -  Sessão do Senado em 17 de dezembro de 1914
     Rui Barbosa questiona a omissão do Governo Federal quanto a instauração de processo aos responsáveis pelo assassinato de “oito ou dez” marinheiros que haviam participado de uma revolta e sido desligados da Marinha. O fato ocorreu a bordo do navio mercante “Satélite”, quatro anos antes,  que deveria levá-los para o norte do país.
     No seu pronunciamento, em determinado momento, o senador destaca - “Se o Tenente Melo pede o Conselho de Guerra é porque tem consciência de possuir elementos com os quais julga poder estabelecer a sua defesa.
     Ignoro qual seja, mas o que o público inteiro acredita e o que é lógico em face dessas circunstâncias, lógico. de uma lógica irresistível, é o que se receia é a defesa do Tenente Melo. que o que se teme é que aquela boca se abra, é que aquele acusado se defenda. E se isso é o que se teme, é porque há grandes criminosos, criminosos maiores, cuja responsabilidade há grandes interessados em salvar.”
     E em seguida pronuncia as palavras que se tornaram como uma sentença de morte para a Sociedade Brasileira:
     “A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação.
     A sua grande vergonha diante do estrangeiro, é aquilo que nos afasta os homens, os auxílios, os capitais.
     A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas.
     De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.
     Essa foi a obra da República nos últimos anos”.
 
     Brasil - Anos de 1985 a 2018.
     Nesse período, o triunfo das nulidades atingiu seu ápice. A falta de vergonha se tornou regra. Os mentirosos já não se preocupam em elaborar “boas” mentiras, basta mentir. A injustiça anda de mãos dadas com a pseudo-democracia e os maus ditam o dia a dia de quem se esforça para ser apenas um cidadão, com direito ao trabalho e uma vida digna.
     Se Rui pudesse se transportar para os dias atuais, talvez dissesse: "Melhor foi ter vivido naquela época, pois pelo menos havia a esperança que fizéssemos juz ao presente que Deus nos deu e nos tornássemos, não só o celeiro de alimentos e matérias primas do Planeta, mas também sua reserva moral, de humanidade e de felicidade. Mas vejo que só resta a decepção e a vergonha.".
Argonio de Alexandria
Enviado por Argonio de Alexandria em 26/06/2019
Reeditado em 26/06/2019
Código do texto: T6681939
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Argonio de Alexandria
Nova Iorque - Maranhão - Brasil
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