** FALO OU NÃO? **

Falo ou não?

Engulo o choro?

Silencio e calo?

Quem fala é o falo.

Bata! Revide!

Senão te bato!

Onde guardo minha fragilidade,

meus medos, sem parecer covarde?

Quero gritar para o mundo,

mas calo, amontoando medos

e cobranças onde não falo.

Nos meus cuidados

esqueceram de mim,

e o calo dói em meu caminhar...

O que não falo

quer apenas amar.

Não me cobrem tanto,

deixem que flua meu lado manso...

Não me elejam

para o que não fui eleito.

Que corram as águas em meu rio,

meu próprio leito...

Cortaram meu leite e deleite

tão cedo exigiram valentia,

vida doentia.

Deixem, enfim,

que amadureça o fruto em mim.

Não importando que esteja tarde,

pois meu corpo pede, a alma arde.

O que falo

não é do macho provedor,

mas do que chora e sente dor.

Falar?

Não falo,

engulo o choro, me calo,

pois assim me ensinaram.

Sua saia me faz sombra

sou bomba prestes a detonar.

Filho, que tu sintas o que não senti.

Que o afeto quebre o vidro do parir.

(Taciana Valença)

TACIANA VALENÇA
Enviado por TACIANA VALENÇA em 24/09/2019
Reeditado em 24/09/2019
Código do texto: T6752490
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