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OS CAMINHOS DO DIZER-SE

Como expressar em palavras o discurso de si? Que caminhos percorrer para compor as linhas do dizer-se? Essas indagações se fazem relevantes à medida que se procura elucidar as entrelinhas que nos singularizam.
Os caminhos do dizer-se requerem exibição/exposição não somente das vozes que nos acompanham, mas também das formas do silêncio que também nos revelam. Essas vozes internas e externas buscam sinalizar, através de nossos comportamentos e atitudes, pequenas amostras do que pensamos ou fingimos ser. São meras porções do que somos e que se extravasam, ainda que a contragosto, para além de nossas intenções de tornar-nos visíveis aos sensores do outro.
O outro é quem, em uma primeira instância, procura elucidar-nos por meio da captação de nossas falas ou silêncios veiculados. Esforça-se por tentar desvendar a maneira sigilosa pela qual procuramos nos expressar no/pelo mundo. Em uma palavra: busca deslindar o enigma que demarca a singularidade de cada indivíduo.
Missão hercúlea não apenas por requisitar observação minuciosa das frações que compõem a complexidade do Ser no mundo, mas também por exigir autoconhecimento dos fragmentos presentes em sua própria composição.
Assumindo, pois, que há dificuldade em apreender os dizeres que emanam do outro e de si, arriscamos algumas elucubrações a respeito do que nos exprime.
Despir-se em palavras e apresentar-se em primeira pessoa. Guiar-se pelo exercício da suspeita e iniciar a viagem pelas ruas e avenidas nas quais se resgatam sinais autobiográficos que podem levar ao reconhecimento de particularidades que possam denunciar-nos.
Solucionar o quebra-cabeça que nos torna acessível ao outro e a si. Juntar cada peça e formar a imagem que mais bem nos representa é um desafio instigante. Munir-se de antigas memórias e voltar no tempo. Rever cada cena que possibilitou a composição do filme sobre as estradas visitadas. Rever-se no ontem permeada pelo agora premente.
Que textualidades do sujeito estão discursivamente disponíveis para que os indivíduos sejam mobilizados a verbalizarem-se por meio de descrições, relatos e confissões. Dizer-se através do pensamento e da própria carne. Significar-se na/pela palavra. Elegê-la como signo por excelência. Implantá-las em seus ossos, músculos e vísceras. Tornar-se palavra, não em estado de dicionário, mas em constante fluxo e sedenta de vida aventureira.
Libertar-se de hesitações e de bifurcações. Reconstruir os trilhos da estrada e distribuí-los em uma nova direção, conservando, ainda que debilmente, traços da essência do Ser no mundo.
Hera Franklin
Enviado por Hera Franklin em 14/02/2020
Código do texto: T6866196
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Hera Franklin
Brasília - Distrito Federal - Brasil
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Hera Franklin