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Só?

Procuro um café. Uma pausa na verdade. Usualmente a conversa seria com a Pamela sobre as benesses do casamento. Aos 10 jurava que nesta vida não me casaria. Quase 25 percebo que talvez essa não seja uma escolha tão ruim assim.

A Pam não foi convidada por uma questão de cautela, o encontro é comigo.

Com o eu. O eu real. Aquele que quase ninguém vê com frequência. O desembarque da rotina é algo que me tira o chão muitas vezes; o fato de estar constantemente em transformação numa velocidade que não consigo acompanhar.

Ademais, o café vietnamita ainda é o que eu mais gosto. Tudo bem, um alívio. O cardápio é um dos meus preferidos, tem pão na chapa e contraposto, croque-monsieur. O famoso sanduíche de presunto e queijo. De resto são tantas opções e você pode escolher o que quiser. É lindo.

A realidade que bate aos 5 minutos sentada me mostra que também tive opções. Casar não esteve nos planos. A pessoa que seria o noivo sim! (Esse não é um encontro para pensar em casamento, me desculpe). É a pausa perfeita para esclarecimentos de como me vejo a médio prazo.

Voltando: projeto-me aos 30 num intercâmbio, após pedir licença não remunerada do serviço público. Exploro um idioma que não gosto, mas que me divertiria tentar. Conheço jovens esperançosos com sonhos inocentes. Redescubro a arte que calaram. Arrisco-me na travessia da calmaria para a inquietude. Opto pela jornada de autoconhecimento.

O óbvio nunca me pertenceu. A rotina, ainda que exigente com cuidados com a casa, nada é tão igual. Não mais me pertence as escolhas dos meus pais, ainda que maior seja o peso de suas opiniões. Corte do cordão umbilical.

Só há o corte quando se nota a relação de co-dependência existente e descobre que é possível manter amor sem que haja a necessidade. Apesar do ensinado, não há padrões certos e errados, e sim, modos diferentes de realizar. Repetir padrões é se limitar tanto; aterrorizante.

Retorno dos pensamentos a médio prazo e me enxergo daqui 02 dias no plantão de 12 horas novamente. Sem tempo para o autoconhecimento; bebendo uma cerveja no mesmo boteco para relaxar; assistindo a novela. Hora de dormir. Pagar contas. Repetir padrões.

- @anabmel
Florzinha de Maracujá Azedo
Enviado por Florzinha de Maracujá Azedo em 25/02/2020
Reeditado em 25/02/2020
Código do texto: T6873686
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Florzinha de Maracujá Azedo
Mogi das Cruzes - São Paulo - Brasil, 24 anos
11 textos (544 leituras)
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Florzinha de Maracujá Azedo