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Depois do vendaval...

Depois do vendaval, tive a certeza que ainda estava vivo. Tive a certeza feliz que as tormentas passariam por enquanto e ainda me manteriam no curso de minha historia ainda não escrita. Tive a sensação boa e fugaz de que estava vivo... E era ótimo este sentimento de cansaço acompanhado por esta certeza sussurrada pela brevidade de nossas vidas...

Depois do vendaval, pude sentar-me sobre as ruínas das minhas ignomínias e avaliar o porvir de minha trajetória nas encruzilhadas que me enveredei e, sobretudo, nos abismos que pulei sem o devido preparo.

Depois do vendaval, pude notar que o céu ficou mais limpo e que as aves gorjeavam ao longe, numa sensação de brisa vespertina tão boa e aconchegante que me traziam a nostalgia das pessoas que conheci nessa vida e fizeram parte da minha caminhada.

Depois do vendaval, tomei a dura decisão de não apegar-me aos fracassos sofridos com o mesmo empenho com que usufruía minhas vitórias. Prometi sobre as dores e suplícios que me abrasavam; curá-las no cabedal do amor sincero aos meus ideais, minha família e meus amigos,

Conjurei aos céus a força divina para esta nova empreitada de reconstrução de meus escombros. Alcancei a redenção de meus erros depois do vendaval, pois tive a certeza da bonança sem esperá-la como única tábua de salvação, mas pela paz de espírito que tanto busquei.

Estou morto? Em absoluto. Só reafirmo minha história como a fênix ressurgida das cinzas de meus escombros e disposta a voar mais alto e flamejante do que nunca, espalhando sua luz a todos os que dela precisarem...

Utopia? Não creio. Só consolido o desejo pueril da criança que existe em mim e que reconhece nas pequenas coisas a beleza do ser humano e de sua divindade

A estrada é sinuosa e deveras perigosa, mas em seu caminho reluz a flama da fênix sob o estandarte de minhas conjuras desveladas depois do vendaval.

Sim. A tormenta me mostrou o portal a ser aberto e seguido; mostrou-me o espelho de minhas imperfeições, mas também a vereda que devo seguir para meu bem, meu futuro e minha eternidade.

Ad majora natus
Alexandre Casimiro
Enviado por Alexandre Casimiro em 15/10/2007
Reeditado em 16/07/2009
Código do texto: T695879

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Sobre o autor
Alexandre Casimiro
Casimiro de Abreu - Rio de Janeiro - Brasil, 37 anos
67 textos (15708 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 15/12/17 02:45)
Alexandre Casimiro