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In Utero.

Meu último grito já cessou de ecoar, já esvaiu-se por todos os cantos, e tudo se aquieta. Eu me recolho novamente e me ponho a observar, ouvir o som da chuva, os sons do Mundo.
Eu inspiro e tudo cala; O toque fresco do vento me beija as faces, e a fusão complexa de isolamento e totalidade, torna tudo ao mesmo tempo triste e perfeito.
Mas tudo volta, o barulho e todo o resto. E eu volto, pro meu hobby favorito, o velho vício de cutucar as próprias feridas. Não é tão divertido e lucrativo como ganhar dinheiro às custas dos sonhos e da fé das pessoas, confesso. Mas esse não é meu esquema. Não faço aviõezinhos de dinheiro, muito menos curo câncer ou aids ou qualquer mágica que os carinhas da tv, aqueles que estão em quase todos os canais de madrugada fazem. Tsu, tsu. Não sou Jesus, e se ele morreu pelos pecados de alguém não foram os meus, esses eu pago em suaves prestações, pra todo o sempre.
Eu, simplesmente grito. Baixinho, aí dentro da sua cabeça, enquanto você lê, se perguntando aonde eu quero chegar. E essa é uma ótima pergunta, então eu pulo, porque ainda é cedo pra te contar.
O fato é que coisas como dor e incompreensão foram as origens dos poetas malditos (malditos poetas?), sem contar o alcool; e sempre que recebo uma pequena dose disso (contando o alcool), há, meu cérebro ferve, cara, meu estômago quase atrofia e meu coração pulsa num compasso estranho e o que se segue, é que começo a tremer mais do que sempre, como nunca, é um calafrio insuportável, que sobe pela minha espinha até o cerebelo e tudo é inquietude, e quando dou por mim, tudo está ecoando novamente, e esse fluxo eterno segue se repetindo, e repetindo...
E depois de toda a fúria, resta aquela mesma criança errática, desprotegida; o pós-utero, o desejo do retorno. De você olhar pra tudo isso, e pensar que quando você nasceu, já estava tudo fodido, ou muito bem encaminhado...e não há retorno.


*a referência ao album do nirvana é óbvia, só pra não passar em branco.

 "sit and drink pennyroyal tea...Distill the life that's inside of me
 i'm an anemic royalty..."
marvin rosa
Enviado por marvin rosa em 09/11/2007
Reeditado em 09/11/2007
Código do texto: T729602

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Sobre o autor
marvin rosa
Santa Isabel - São Paulo - Brasil, 29 anos
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