Beijo e sepulturas...

Ninguém presenciou

O funeral dos meus sonhos...

O sepultamento de minha tola esperança

As cores que ilustravam meu olhar desbotaram com as lágrimas

Que a ilusão, fez questão de criar...

Solitude de outras eras,

Solidão que ao longe me espera...

Tentando acostumar-me a lama

Na qual lambuzei minha face

Na tentativa de mergulhar junto com as sementes

Que deveriam seguir o ciclo da morte-vida...

Verso abortado, natimorto na véspera de ser recitado

Um beijo que se fez amigo

Foi a véspera de um escarro...

O plágio de fez necessário

Pela verossimilhança da sentença

E da cartasse de minha alma...

“ a mão que afaga é a mesma que apedreja...”

E de plágio em plágio,

Deixo registrada minha peleja,

Citando o poeta esquecido,

Mas tão pertinente ao ouvido...

“ Se alguém causa inda pena a tua chaga

Apedreja essa mão vil que te afaga,

Escarra nessa boca que te beija!”

Segue o velório da minha esperança

Registrada na lápide pintada com branco cal

Escritas veladas vontades " eu amei de verdade..."

E dentro do sepulcro caiado

O asco, o odor,

Féretro do que sobrou do sentimento

Entregue ao breu da angustiosa escuridão

Estou eu,

Presa no Hades da silenciosa emoção...

De um dia ser tida como esposa

Como posso ter tão tola ilusão?

Observadora
Enviado por Observadora em 29/07/2015
Reeditado em 16/01/2016
Código do texto: T5328273
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