A poesia é minha cruz!
A poesia é minha cruz!
 
Cega-me os olhos, não quero vê-la!
 
Tira-me o olfato,
não quero sentir o cheiro
que me comanda os desejos!
 
Tapa-me os ouvidos!
Não quero sussurro de amores,
nem dores, nem do escambau!
 
Tira-me o tato, não quero tocar!
Nem pau, nem pedra, nem pele,
muito menos nuvens de algodão
(detesto nuvens de algodão!).
 
Quero ser imune! Imune a tudo!
 
O coração do poema boêmio sangra,
grita, madrugada afora,
pelas ruas escuras da cidade.
 
Copo na mão, trocando os pés sobre
o asfalto das esquinas vazias,
das almas vadias,
a comentarem sobre o surto
do poema, que de tão curto,
explodiu em um só verso,
numa noite qualquer,
a céu aberto.
 
 
 
 
TACIANA VALENÇA
Enviado por TACIANA VALENÇA em 09/01/2021
Código do texto: T7155642
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