QUIUÍS

Maio embalava dulcíssimas folhas.

O outono emarelecia todas as pétalas de crisântemos,

Naquela tristeza imensa se esfolhavam,

Todas eram mais incompreendidas que o tumor em teus braços...

Ainda a olho com olhos distantes,

És parte de um amor que ficou, parte das muitas saudades,

Que me rala o coração...

Ah, enquanto costurávamos o anteontem daquele teu último verão!

O crepúsculo feria a memória,

Descoloria o maio de tua imagem e necessitava se pôr...

Mais que os confins dos montes,

Mais que o sabor entregue daqueles teus preciosos quiuís.

Morte é paroxismo...

Ensolarada, mais íntima que o pertencimento dos teus risos

ao bem-te-vi;

E a concordância insustentável da morte.

O amor é um descosturar constante,

Um pretexto poético, ah, apenas e tão-somente...

Para crermos que tu sempre estarás entre as estrelas brancas no céu.

- Poema escrito para minha tia Nice.

Dylla Vicente
Enviado por Dylla Vicente em 29/06/2019
Reeditado em 02/11/2021
Código do texto: T6684738
Classificação de conteúdo: seguro