Mais uma vez, é dezembro

Na padaria, o dia se repete, e
  a  freguesia
  a  mercadoria.
Mais uma vez, é dezembro.
Mais uma vez chove e faz sol e chove e
                         esfria e outra vez esquenta
ma s,
nenhuma neve, apesar dos pinheiros.

De acordo com a portaria do órgão competente
o pão francês custa apenas cinquenta centavos
                                       cada cinquenta gramas
neste fim de ano de mil novecentos e setenta e oito ,
depos de Cristo nascer.

O pão custa apenas cinquenta centavos
e apenas um basta para acabar com a fome
de poucos costumes
mas, na vitrine espelhada
                       e açucarada
se reflete o rosto
de muitas fomes insaciadas
de uma criança abandonada
que tem pai e mãe legalmente constituidos
sub-empregados
vivendo em um barraco de periferia
com mais de nove filhos, 
todos menores de idade .

Na pradaria    o trigo
Na p adaria    o pão
No pardieiro    o pobre
No palacete     o rico
  
e,
No presépio, o Cristo,
em seu inútil renascer
para os homens de má vontade.

Êta vida desajeitada, meu Deus!