NOITE DE NATAL

NOITE DE NATAL

O céu de profundo azul pintado

É um poema inacabado

De uma beleza sem igual;

E a paz e o silêncio envolvente

Só é quebrado

Pelo cricrar de um solitário grilo,

Na noite santa de Natal.

Meu pensamento fito na lonjura

Leva-me a uma distante gruta escura

Abrigo de mansos animais;

E logo em meus ouvidos

Soam primeiros vagidos

De um bambino acabado de nascer.

Uma estrela cadente

Reluzente como o sol,

Rasga o ventre da noite

E vem pousar sobre o santo local;

E os seus raios, etéreo fanal,

Incendeiam os céus,

Inundam a terra de luz.

Nas cercanias de Belém

Onde guardam seus rebanhos,

Humildes pastores acordam em sobressalto

Ao ouvirem doces melodias vindas do alto;

E guiados por aquela estranha luz

Lá vão pelos caminhos

Carregando lindos anhos,

Para oferecê-los ao Menino Jesus.

Chegados ao seu destino

Diante do doce menino

Ficam genuflexos,

Embebecidos;

E a Virgem Mãe e José,

Circunspectos,

E emudecidos,

Meditam no mistério profundo,

Do Deus Senhor do mundo

Que por nós se fez pequenino.

Eduardo de Almeida Farias
Enviado por Eduardo de Almeida Farias em 12/12/2010
Código do texto: T2667277