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Mais um domingo
De solitário recato
De ruas desertas entrevistas
Por uma das janelas
Do outro lado da casa
O Tejo sorri ao fundo
Às nesgas de raro oiro
Céu mármore azul e branco
Lembra que ainda é Inverno
Canta mais alto o canário
O seu sedutor reclamo
Que não chegará ao atento
Ouvido da companheira
E assim se gora a vida
Que pulsa na nossa veia
Solitária. Habituada
À caminhada usual
De casa para o trabalho
E do trabalho para casa
Que se mantém arrumada
Fica-se com a consciência
Do dever – que é penitência
Cumprido de ponta a ponta
E este vazio dentro
Como de quem perde a vida.


Lisboa, 12/3/2006
Maria Petronilho
Enviado por Maria Petronilho em 12/03/2006
Reeditado em 12/09/2006
Código do texto: T122116
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Maria Petronilho
Almada - Setúbal - Portugal, 68 anos
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