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Oração na Taberna – 0 Herói dos Novos Tempos

Ó Zeus, meu pai, todo poderoso, altitonante do Olímpo;
Auxiliai-me nessa terra de mortais, tristes humanos;
Nessa terra onde quem não se é como um deles,
Colocam-te na ignomínia, condenam-te ao exílio;
Ajudai-me, senhor, nesse caldeirão de almas decadentes;
Senta-te, meu pai, ouvi-me; escuta esta prece.

Ó Zeus, meu senhor; tu, que governas o Olímpo;
Tu, que tens todas as divindades à ti subjugadas;
Perdoa-me; desculpa esse teu pobre filho que vos fala;
Perdoa-me por ter teu sangue e não ser herói,
Por não conseguir altos feitos, honrosos feitos,
Como teus filhos heróis outrora conseguiram, Hércules, Aquiles;
Teu filho agora é só um bêbado, classe média, pobre sonhador;
Eis o herói dos novos tempos;
Quão penoso ter sangue divino agora, meu pai!
Que alto preço para tê-lo! Que fardo pesado; decerto Hércules não o teve.

Ó Zeus, meu pai, senhor sobre todos;
Não deixeis que um bêbado recite esta prece na taberna;
É uma prece à ti, meu pai, não um poema, tampouco arte;
Não deixeis que um bando de bêbados a ouça;
No entanto, eu aprecio esses bêbados; temos algo em comum;
Talvez os mesmos fracassos, os mesmos sonhos, a mesma solidão,
E, ouso ainda dizer, somos os mesmos heróis.

André Espínola
Enviado por André Espínola em 30/01/2007
Código do texto: T363448

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Sobre o autor
André Espínola
Recife - Pernambuco - Brasil, 35 anos
247 textos (12561 leituras)
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André Espínola