SANATÓRIOS

SANATÓRIOS

“Eu sou um internado num manicómio sem manicómio” – Álvaro de Campos.

Há sanatórios para loucos,

Como há sanatórios para tísicos.

Eu sou um louco internado

Num sanatório para loucos

Sem sanatório

E um tísico internado

Num sanatório para tísicos

Sem sanatório.

Eu sou um louco.

Eu sou um louco

Da mais terrível e imortal loucura,

Como sou um tísico da alma.

Em todos os Juqueris,

Pinéis, Barbacenas, Rilhafoles,

Mombellos, Rocklands e Bedlams do Mundo

Jamais houve um só paciente

Mais louco do que eu,

Como jamais houve alguém mais tísico do que eu

Em todos os sanatórios de Campos do Jordão,

De Clavadel e de Davos-Platz!

Eu sou um louco internado

Num sanatório para loucos

Sem sanatório

E um tísico internado

Num sanatório para tísicos

Sem sanatório

E estou com todos os loucos e tísicos

De todos os sanatórios

Que outrora existiram no Mundo.

Estou com todos os loucos

De todos os sanatórios para loucos

Que um dia funcionaram nos quatro cantos do Mundo,

Comparando as certezas dos outros loucos

Às minhas dúvidas,

Erguendo meus castelos de quimeras

E catedrais de ilusões

E fingindo que penso que sou o Duque de Wellington

Para os loucos que pensam que são Napoleão.

Estou também com todos os tísicos

De todos os sanatórios para tísicos

Que em tempos que já lá vão recebiam doentes

Em todas as Montanhas Mágicas do Mundo

E também fora delas,

Ouvindo noturnos de Chopin ao crepúsculo

E compondo,

Com o sangue das hemoptises da minha alma,

Um poema dos mais tristes que jamais se escreveram.

Eu sou um louco internado

Num sanatório para loucos

Sem sanatório

E um tísico internado

Num sanatório para tísicos

Sem sanatório.

Eu sou um louco

Da mais terrível e imortal loucura

E um tísico da alma.

Minha alma é louca e tísica

E, como tísica,

Cospe sangue pela boca.

Meus versos são sangue

Cuspido pela minha alma tísica

E também louca,

Ao som de Chopin,

Num melancólico entardecer d’outono.

Victor Emanuel Vilela Barbuy, Santo Amaro, São Paulo-SP, 14 de abril de 2015.

Victor Emanuel Vilela Barbuy
Enviado por Victor Emanuel Vilela Barbuy em 28/10/2021
Reeditado em 28/10/2021
Código do texto: T7373098
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