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Contradição



Sentimentos contraditórios
Momentos de incompreensão
A ira fala mais alto
Sem motivos concretos
Mas a loucura não é o resultado
Não é a doença
Apenas a precipitação
Juízos apressados
A vida a correr
Sem sair do mesmo sítio...

Falta de calma
Faces enrubescidas
Para nada
Quase sempre.

Principio, meio e fim
Urge dar um sentido a esta história
Provocar evolução
Acender uma chama
Elevar a temperatura da alma
Compreender os sentidos duplos
Sem falar
Sem crucificar
Sem motivos para redenção...

Apenas olhar
Apenas sentir o que é preciso sentir
Aceitar motivos incompreensíveis
As coisas pequenas que há em cada um
Afinal o que faz girar este mundo...

E escutar
Onde reina o silêncio
Onde o nada prevalece
E provocar o nascimento de vida
Algo completamente novo
Evoluir
Seja lá em que sentido for
Sem ter de pagar pelos pecados
Apenas paz e sossego
Por instantes
Longe da luta desenfreada pela vida...

E depois perder
Os sonhos
A capacidade de se auto-regenerar
E fazer do que os outros criaram
Uma vitória nossa...

As vitória são egoístas
Não pertencem a todos
E muitos de nós
Encostam-se no manto confortável da derrota
Deixam a vida para trás
Hesitam
E então?

A vida a milhas do corpo de cada um
Uma pintura de Dali
A nossa realidade
Falta de ambição
Decorada com objectos estranhos
Que apenas os ilude...

Falta de ambição...
A crença de que tudo sairá melhor
Que a desilusão é um estado passageiro
Mas tudo feito de cabeça baixa
à espera de um decreto de mudança
Para fazer algo diferente...

E o que os artistas pensam para se poder fazer algo igual
(e porque não hão-de eles esperar algo em troca?)
O que os políticos governam
(para os deles concerteza )
Que os ladrões são apanhados
(e as penas são quase sempre inadequadas)
Que o progresso é uma dádiva
(cada um dá o nome que quiser ao criador).

Escuto a música
Vou-me acomodando a esta vida
Dos lamentos
Das falsas torturas
Como se as doenças que me assolam o corpo
Fossem a ultima
E tivesse que me despedir da vida...

Por vezes urge ser dramático
Colorir o cinzento
Apelar à condenação das almas perdidas
Quando todos elogiam o que merece desdém...

Acredito nos actos
Na demonstração dos afectos
Apoio moral
Algo que só dou a mim mesmo
Morreria sentado à espera dos elogios...

A vida é bela
Mas querem sempre fazer dela
Uma vergonha
Um sucedâneo de inseguranças
Erros e imprevistos
A felicidade é sempre instável
Tudo se torna gelado por dentro
É esse o preço da vida...

Sujeitam-nos a coisas incríveis
Privam a alma da sua pureza inicial
Enchem-nos de preconceitos
De vergonha de nós próprios
Obrigam-nos a odiar porque sim
A amar porque sim também
E a mentira prevalece...

Depois querem fazer acreditar
Que a morte é a única saída possível
E até se torna compreensível
Ao menos o desconhecido
Com a verdade em estado puro...

Mas e a verdade?
Um caminho tortuoso
Por onde se diz querer caminhar
Porque fica bem...

Mas como todos os sentidos tortuosos
Tem um preço elevado
A solidão e a loucura
E a bem da sanidade mental
Há que mentir
Suportar os dias de chuva
De Sol
E de nada
Sempre com um sorriso nos lábios...

E depois
Os impropérios
Tomá-los como elogios
E sorrir
Olhar para bestas humanas
E prestar-lhes vassalagem
Porque faz parte
Não há escape possível...

O futuro só pode ser um covil de cínicos ?
Uma horda de hipócritas e falsos moralistas?
Há amargura é certo
Mas apenas o que me rodeia de perto
Me importa...

E no fim disto tudo
Ficam as recordações gratas
De um passado fácil e terno
Com um espírito sofrido...

E neste mundo escuro como breu
Onde não há salvação para todos
Urge saber pensar
Saber agir
Nunca encolher os ombros
Até ao dia do juízo final...

Manuel Marques
Enviado por Manuel Marques em 11/03/2007
Reeditado em 11/11/2008
Código do texto: T409115

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Sobre o autor
Manuel Marques
Amadora - Lisboa - Portugal, 48 anos
548 textos (60734 leituras)
50 áudios (13981 audições)
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Manuel Marques