MEU POEMA DERRADEIRO

MEU POEMA DERRADEIRO

Manoel Belarmino

Quem com letras escreveu

O seu poema primeiro

Um dia assim como eu

Há de escrever o derradeiro.

Cansado do tempo, noites,

Do Sol, da angústia do vento;

Minh'alma frágil de açoites

Afogou-se num tormento.

Mais alma que corpo eu sou,

Eu me despojei de tudo

Desde que menino eu sou

Da matéria eu me desgrudo.

Ambição eu nunca tive

Nunca fui buscar riqueza

Sabedoria sempre tive

E eu a busquei com grandeza.

O amor na alma eu carrego

Desprovido da matéria.

O corpo em matéria é cego

E alma eterna é etérea.

Minh'alma escreve um poema;

O do fim, o derradeiro,

Com letras etéreas, n'alma,

Poema de amor verdadeiro.

Manoel Belarmino dos Santos
Enviado por Manoel Belarmino dos Santos em 21/01/2021
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