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ALÉM DO TEMPO

Dia novo
Ah, quem dera!
Ao que não consigo morrer
Para o ontem

Ó maldito mundo!
A que lançou profundas raízes em minh’alma
A que turbulenta encontra-se, pois ela
Da antiga inocência a que hoje nada mais resta
E no silente manto de su’águas
Em que transparecia a visão de minha imagem
Já não posso mais contemplar-me

Ai, que saudades!
A antiga e fresca brisa a que antes o meu rosto afagara
A que os raios do sol o aquecia na alvorada de cada dia
Onde está?
Na verdade
Ficou para trás

Eis que minha vida se agoniza
Entre os seus múltiplos paradoxos
Qual folha a ser levada pelo vento
A que se alterna entre as dores que a torturam
E os prazeres de que a aprisionam

Quando poderei enfim morrer para o meu passado?
Quando virá então uma nova alvorada?
Quando...?

Mas triste de mim que se recusa a morrer
Principalmente a morte da maculada existência
A que feriu minha genuína essência
E assim, inconsciente, rejeita a eternidade
E, igualmente, recusa a vida em sua novidade:
O amor
A quem se dá somente para quem teve a coragem de morrer
Para o mundo
Para o tempo
Para o nada
Para o ontem

Ah, amor pleno em sua bem-aventurança!
Não poderá, pois a mim se revelar
A não ser que eu definitivamente morra
Para tudo o que deve morrer

Pois somente assim... viverei
No tempo cujos ponteiros do relógio não mais existirem
No tempo além de si mesmo
No sagrado Desconhecido
Na própria Eternidade





 
Paulo da Cruz
Enviado por Paulo da Cruz em 14/07/2017
Código do texto: T6054177
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo da Cruz
Curvelo - Minas Gerais - Brasil
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Paulo da Cruz