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ALGOZES DO TEMPO E DA PRÓPRIA VIDA

                Ah, o tempo
        Estar à sua frente
             Quem o poderia?
     Como que a poder adiantar os ponteiros de seu relógio
          E assim, estar... à frente de tudo?
       E saber antecipadamente... de tudo
            Mas por que alguém o quereria?
     Oh, suma vaidade... de tantos!
         Ah, mas que pergunta boba!
   Por acaso não seria o que mais todos desejariam?
         E assim de tudo ter o prévio conhecimento:
             Dos planos a que hoje se fazem
          Dos projetos os quais neste instante se traçam
             Dos números premiados dos bilhetes das loterias
       Do dia exato da própria morte...

           Todavia, assassinos do tempo
     Oh, eis o que tantos os são!
        A que os deixam então fugir... escapulir... de suas vidas
    E destarte o apagam... e o abatem... trucidam... o valioso tempo
         A não ficarem nem com os restos do que dele sobrou
   De suas cinzas que o místico vento leva de forma incerta
            Da morte a entrar sem bater na porta de todos
      Enquanto estes cochilam e dormem
           E sem dó nem piedade carrega tudo... e todos

       Matar o tempo... e consenti-lo bater em retirada
            Às vezes... também eu o faço
     A que não irei mentir nem negar... principalmente a mim mesmo
        Todavia
    Não faço... como os demais... que os deixam exaurir... e partir
          Mato somente a saudade
    Das boas lembranças que sempre habitam me minha memória
           E deste modo permito voltar então o tempo
      Oh, e como é bom!
         Ao que o tempo não me punirá ou me açoitará
     Não, jamais!
          Visto que soube muito bem dele usar

            Porém, não trucido o presente
        Como tantos o fazem
               E assim o deixar zarpar
       Do tempo que pediu entrada em suas vidas
            Contudo, ai... como irão mais tarde se lamentar!
     Qual aguda flecha a doer na alma
           Por não amarem aquele sagrado momento
     E assim o deixou de suas vidas desertar

             E não vitimo também o futuro
    Oh, não
             Seria, pois com certeza... suicidar
       Como também tantos neste mundo se matam
             E não apenas o tempo ou suas vidas
       Mas, sobretudo a tal augusta Esperança
          Da santificada espera da qual não mais nela acreditam
                (se é que um dia assim o fizeram)

           E por isso não vivem para nada
     Nem para o passado
              Nem para o presente
        Nem para o futuro

            Algozes do tempo...
      Vede aqui o que são
          E da própria vida... que mora no tempo

             Ou seria o tempo... a habitar na vida?





Paulo da Cruz
Enviado por Paulo da Cruz em 17/01/2018
Código do texto: T6228831
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Paulo da Cruz
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Paulo da Cruz