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EM TUDO... A VIDA ESTÁ

               Viv’aura d’estação invernal
      No fraco sopro do ar que se cria no tempo
         Não, não odiarei a brisa... esta tão fresca e suave
              Tampouco temerei os vendavais
       Ainda que se torne... um intenso furacão
                 Não, não temerei
              Em tudo... a vida está

            Pingos de chuva a palpitar no rústico telhado de minha casa
    Ruidosos a que são em sua uniforme marcha e ritmo
       Não, não repelirei a precios’água... oriunda dos vapores do ar
            Ainda que a garoa d’gora se converta em feroz tempestade
     Não, de maneir'alguma a temerei
                  Em tudo... a vida está

          Calor do sol a esbrasear minha delicada pele
      Das sombras que insistem em fugir
   E que, portanto de mim recua
        Da pálpebra do dia a protelar em se fechar
   E o sol, vede que tanto ele queima!
         Não, não o amaldiçoarei
     Ainda que me incendeie por completo
           Sei que o crepúsculo não faltará
      D’estrela matutina que finalmente passará
                Não, não temerei
           Em tudo... a vida está

             Tempos puros d'outrora
                 E ontem... meigas e inocentes crianças
              Quão doces lembranças!
                      Hoje, porém... que lamentável!
         Lobos humanos a uivarem no desespero de seu tempo
   (na verdade, nosso tempo... tão sagrado!)
            Abandonados a que são em sua loucura
     Ah, e como choram e gemem n’angústia de seu sofrer
               E, por isso, tão violentos se tornam!
    E ferem... e trucidam... a todos... inclusive... eles próprios
        A que passam neste exílio como a caminhar para o jazigo
              (e não de fato se é?)
        D’amarga maldição de se ter nascido
                 Não, não terei deles medo ou repulsa
   Em su'essência, são ovelhas... (estes meus irmãos doentes...
        e não serei também eu... um deles?)
          Não, não os temerei
            Amá-los-ei... eis o que farei
                    Em todos...  está... a vida

          Névoa escura e densa da morte
     Ah, a tão abominada e repelida morte!
             Pela qual todas as almas diante dela se atroam
        No horror a que dela em tal grau tem
                  (ainda que deveras nem conheçam)
           Mas, e o que seria do mundo sem sua presença?
               Não, não também a temerei
   Do cansado corpo que nest’instante me encontro
      Será ela para mim tão somente paz e conforto
            Da qual dela tenho toda a certeza:
       Nela... também a vida... está
              E por que não estaria?...








Paulo da Cruz
Enviado por Paulo da Cruz em 13/07/2018
Reeditado em 14/07/2018
Código do texto: T6389436
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo da Cruz
Curvelo - Minas Gerais - Brasil
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Paulo da Cruz