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DEPOIS DE CADA CURVA DA ESTRADA

            Ah, o vento frio a bater no pára-brisa embaciado do carro
     A palidez matutina a se desenhar nest’estrada
           E aquela vontade de sempre seguir adiante... sem parar
   E sem lugar nenhum a querer chegar
      Quanta mística em cada ida... até o entardecer do dia!

   E nas sinuosidades do caminho... continuamente um’ansiedade viva
        Todavia, não perturbadora... nem a alma tortura
               Mas, seria por mera curiosidade?
          Seria por medo?
                  Não, absolutamente!

       Na doçura a que se tece pelas expectativas do que não se sabe
             Não há maior prazer aqui
        Contra tantos que prefeririam de antemão tudo saber
   Mas, eis que não haverá nenhuma graça (é fato)
           Quais aqueles que abrem a última página dum romance
      N’avidez e na pressa de se conhecer o final da estória
               E então a matam.... e a abortam antes de seu termo
         Que pena!

        E destarte, prefiro então as curvas e as lombadas
   A qu’escondem de meus olhos a beleza do que eles verão
          Pelo menos, eu acho mais vantajoso assim

      Da névoa a se tecer em minha long’estrada a qual percorro
          Embora não nela corro
                Mas a tanto encobrir meus fracos olhos
      E por isso não sei par’aonde me encaminho
                E pouco isso me importa
        A que ando, pois à deriva da vida
             E sem titubear irei, quem sabe até o fim
                 Ah, com certeza, melhor assim
                    Não há dúvida!

           E o quê haverá após cada curva do longo caminho?
     O quê pois me aguarda?
               Sei lá!
E para quê se saber por antecipação o que a vida quer que eu aguarde?
       Para estragar a surpresa?
          Por temor do que à frente s'encontra?

    Não, não me intimidarei ante o zigue-zague da rodovia
       Prefiro esperar... até finalmente a ela chegar!
         Contudo, em todo o tempo seguindo
               Ainda que demore
       Um dia, não mais n’estrada, pois estarei!...
              Aí então, sei que se chegou... ao fim

Inspirado no belíssimo soneto “Veredas sinuosas”, dos talentosos escritores
Charles Lima e Juan Castiel
Paulo da Cruz
Enviado por Paulo da Cruz em 22/08/2018
Reeditado em 22/08/2018
Código do texto: T6426433
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo da Cruz
Curvelo - Minas Gerais - Brasil
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Paulo da Cruz