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MAS... POR QUE FUGIU O AMOR?

E lá, no âmago daquela mata, a residir o frondoso e imponente carvalho
  Ao que os amantes nele s’escrevem os seus nomes
   ... no tecido e desenhado coração por suas mãos... apaixonadas
          Delírio de amor!
   Quanta sensibilidade!
        Quanta ternura!
     Quanta paixão!
        Do amor que ali se registra...
  Todavia seria somente enquanto durar a bel’árvore?

     Ó inexorável tempo... a que tudo carrega e desfaz!
Do que tudo o que há vê-se depois em pressa a ir embora
  Sem que ninguém o defenda para que assim o fique!

       Mas, par’aonde fora aquele nostálgico amor?
   Por que ele fugiu?
         Durou somente o prazo em que o carvalho viveu?
     Situou-se somente... no tempo?

           Pelo que lá na floresta não mais se o avista?
   Do afeto a que se deixou estragar com o prazo d’uma doce ilusão?
     Oh! que pena que, pois se apodreceu... e acabou!...
           Quanta ruína... na ociosidade do qu’então morreu
                 (ou não se viveu!)

          Ah, quem sabe outras mãos não o tiraram
   Das insanas mãos que devastam as florestas
        Ao transformarem o lindo carvalho em “humanas coisas”:
    Objetos... móveis... ou até mesmo... caixões
 E assim a árvore em que nela s’inscrevera os nomes dos amantes
      Tornou-se, pois a urna que abrigará o cadáver
        ... daquele que a tirou de seu antigo e genuíno espaço
  A tornar-se adubo dos púberes vermes do solo que o abrigará

      Oxalá não se torne o destino dos amantes d’outrora!
         que possam escrever novamente seus nomes
             ... nas tábuas da verdadeira vida... que não morre

                     *************************

                          14 de dezembro de 2018


Paulo da Cruz
Enviado por Paulo da Cruz em 14/12/2018
Código do texto: T6526973
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo da Cruz
Curvelo - Minas Gerais - Brasil
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Paulo da Cruz