O pior que houver em mim.

No dia em que eu houver

De deixar ao mundo algo de mim

Pretendo deixar meu pior.

Desatar meus liames

Esquecer-me

De tantas mágoas e tristezas

E tudo que houver de nefasto

E tudo que houve de nefando

O melhor do lado ruim da vida

A tudo eu hei de abandonar aqui

Quando, enfim, eu tiver que partir

Pois é pra isso que serve a vida

Ela existe, pra que a gente viva aqui

A toda essa carga negativa

Que encaramos, que enfrentamos

Enquanto gente viva

Convivendo com gente assim

A carga é bastante pesada

Pra no fim, não levar-se nada

Eu rogo ao infinito que leve

O que houver de leve em mim

Pois o mundo empenhou-se tanto

Em tirar-me tudo

Eu deixo ao mundo meu pranto

Que é tudo que eu tinha

O que havia de bom

Não foi de interesse

No mais, minha alma é bem leve

E de nada ela serve pro mundo.

Edson Ricardo Paiva.