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VOCÊ NUNCA EXISTIU/Espantalhos

Pra que pensar, se já pensam por mim?
Se meus gostos, gastos, gestos ... todo o meu Eu é determinado         Pelas corporações, como a do Plim Plim?

Não há motivos para ser individual
Se somos condicionados a sermos felizes em pensar igual.
Oh Admirável Mundo Novo do Processo Bokanovsky Global!

Consumo os reclames sem reclamar, só faço meu papel,
enquanto os enlatadOZ me fazem Homem de Lata, sem coração;
E Leão Covarde, sem coragem. Preso a Torre de Babel.

O meu cérebro retiram retalho por retalho,
até que me torne Espantalho,
e quando penso que seria ao contrário:

Assim mais atraio
os corvos a este paspalho.
Hospedeiro sou no regime parasitário.

Somos zumbis, mortos-vivos,
Mais mortos do que o preciso,
De um modo sintético, nada místico.

E nada ganhamos nessa loucura
E o preço é caro, apesar da oferta sem procura.
E o pior: Há pouca chance de cura.

É como tumor, que se alastra sem dó,
Só te larga ao tornar ao pó.
Mitose descontralada, que sempre prossegue,
te persegue,
até que você se conforme,
Pois já é tarde para que se revolte; E assim,
Por Fim,
Te consome.

E em algum momento, pelo menos perto do Fim, você nota ebasbacado:
Que VOCÊ e EU nunca existiu de fato.
Sempre foi coletivo, nunca singular. Só existiu NÓS, padronizado.
Exatamente como um gado.
Um conjunto de mamíferos domesticados,
Servindo aos interesses da minoria de abastados.

Sim, é difícil aceitar, mas - VOCÊ - nunca existiu!

Cayyan
Enviado por Cayyan em 26/02/2010
Reeditado em 26/02/2010
Código do texto: T2108848


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Sobre o autor
Cayyan
Pindamonhangaba - São Paulo - Brasil, 29 anos
59 textos (6554 leituras)
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Cayyan