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Morte Pública

A morte é, mesmo, espetáculo
Que se paga ou não pra ver.
Ajeita o seu sustentáculo,
Veja melhor a tevê.

No programa policial,
Corpo, só, no matagal.
Reportagem no jornal
Disse que era um marginal.

Passagem por roubo, tráfico.
Sequestrador, homicida.
E a notícia do fim trágico
Até foi bem recebida.

A quem quer que se incrimine,
Fez na justiça um atalho.
Não é polícia a trabalho,
Mas o crime, contra o crime.

Sua mãe, inconsolável,
Chorava copiosamente.
"Um trabalhador decente..."
"Pra que isso, minha gente?"

No velório, só a família.
Quadrilha não manda flores.
Vítimas não mandam flores.
Polícia não manda flores.

Testemunha tornou pública,
Ignorou a última súplica.
Do celular pra internet,
Várias fotos do pivete.

A morte é, mesmo, espetáculo
Que se paga ou não pra ver.
Para muitos é um pináculo
Notícia ruim na tevê.
Alê Campos
Enviado por Alê Campos em 25/11/2013
Código do texto: T4586715
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Alê Campos
Uberlândia - Minas Gerais - Brasil, 32 anos
46 textos (1736 leituras)
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Alê Campos