O país do moleque da rua

Foi quando recorreu ao subterfúgio

Caminhando em meio aos entulhos

O moleque que alçava o seu futuro

Carregava seu estômago num misto de embrulho

Inocência refletida aos céus

Fileira estreita de sonhos de arranha-céus

Triste por estar presente no banco dos réus

Dores que ardiam, inexiste a bula e o papel

Saudade recorre da mãe

Inexiste a presença do pai

Não se sabe nem onde se encontra

Onde fica o nexo da sobrevivência?

Vivências da sombra...

Forças pífias da existência

Da carência, avante ao grau da ausência

Petrificado ao prato sem meios grãos

Ignorado por quase todos aqueles

Que pregam a caridade por autopromoção

Na sarjeta, entregue a canaleta

Expectativa de vida reduzida

O andar num jeito opaco

Pouco espaço em meio ao mundo

A alma acoberta os espinhos

E as flores nem chegam entre raros carinhos

É visto como só mais um nauseabundo

Recesolo
Enviado por Recesolo em 17/08/2018
Código do texto: T6422235
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