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Tá Atrasado Fica Calado

Padre João foi nomeado
Pároco de Fortuna do Norte,
Cidade pequena do estado,
Com pequeno Índice de morte.

Município que de habitante
Tem mais ou menos 50 mil,
Porém de porte elegante
Nada parecida com um covil.

Quando o sacerdote chegou
O povo quase inteiro se reuniu,
A praça central pequena ficou
Tão lotada como nunca se vil.

Contudo o prefeito não estava,
Atrasado se encontrava ausente,
Pois na capital mais recurso buscava
Para fazer a cidade mais decente.

O padre feliz assim discursou
Agradecendo recepção carinhosa,
Mas contando o susto que levou
Recém chegado ao ouvir uma prosa.

Disse: “Posso dizer o pecado
Omitindo o nome do pecador
O primeiro por mim confessado
Contou-me coisa de fazer horror.

“Falou ter roubado o povo,
Enganado o pequeno e o maior,
Até tirado da galinha o ovo,
Entre os cidadãos foi o pior.

Confessou ter traído a mulher
Frequentando as casas da vida,
No bem publico meteu a colher,
Fez coisas que até Deus duvida.

Disse ter mentido demais,
E incentivado pornografia
Usando gente e até animais,
Coisas que o diabo se envergonharia”.

O padre fez o sinal: “Tive medo!
Que lugar é esse meu Senhor?
Onde fui meter o meu dedo?
Aqui parece não existir amor!

“Senti vontade de sair correndo,
Voltar para minha origem,
Pois aqui neste lugar horrendo
Eu sinto somente vertigem”.

Mas o pároco logo suavizou
Dizendo que depois disso
Seu coração então se acalmou
Quando viu esse povo boníssimo.

Então a porca torceu o rabo
Quando enfim chegou o prefeito
Acenando e mostrando-se animado
Como um político perfeito.

Cercaram-lhes os puxa-sacos
Que logo o guiaram ao palco,
Foi muito aplaudido pelos fracos
Quando enfim já estava no alto.

Falou como fala todo politiqueiro,
A eloquência de um canastrão,
A verdade de um xavequeiro,
A postura de um falastrão.

Disse: “Meu povo muito amado,
Quero acolher o padre querido
Que a nossa cidade veio enviado
Atendendo o Bispo ao meu pedido.

“Ademais - prosseguiu o abestado -
Tive a honra de ser o primeiro
Ao padre ter confessado
Meu pecadinho corriqueiro.

Isso acontece quase sempre
Com quem chega depois da hora
E de uma forma imprudente
Não procura saber o que houve até agora.

Poema baseado em História de autoria desconhecida.
Aberio Christe
Enviado por Aberio Christe em 06/08/2019
Reeditado em 07/08/2019
Código do texto: T6713681
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Aberio Christe
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Aberio Christe