DESCULPA BRASIL

Desculpe a sinceridade,

Desculpe se me envergonho,

Cobraram-me caro o ingresso,

pra roubar minha carteira

Me tomaram a alegria,

de gritar SOU BRASILEIRA

Sendo eu filha da pátria

De beleza e encantos mil,

Me desculpe a sinceridade

Já não creio no Brasil.

Meu professor sem prestígio

TV de ibope o imoral

tudo foi para o presídio

Meu herói...

nunca foi um policial.

A ousadia é gigante

Seja do trombadinha,

do dono da boca

ou do governante

Vendem meu país,

vendem a dignidade

Vendem a alma pra diabo

Pra criar uma verdade

Compram todas as manchetes

compram todo o jornal,

do prefeito ao presidente

Inclusive o tribunal

Numa zona eleitoreira

não faço a zona mudar

Sou omisso

e como armas,

so me restaram as palavras,

Um tanto contrariado

sem forças para gritar

Sem giz para escrever

Sem médico pra me atender

Nem maca para morrer

Falta terra pra me enterrar

sobram abutres pra me comer

Crescem o crimes a crueldade

sobram estupros neste Brasil

de alma, pele e educação

Falta cultura, falta o pão

Sobra migálha,

Sobra canálha

E faltam forças para servir

Vivo a mígua e abandonada

Filhos no colo,

pra encher cadeias

Sou mãe solteira

Sou pai sem mãe

Não vejo o brilho

E neste roubo,

levam até as estrelas

da minha bandeira

Desculpe- me!

Para luz da esperança

Eu vivo míope demais

a deriva,

Sem porto sem cais

querendo ir embora

Sou um brasileiro,

que pede e implora

Somente perdão

por ter aceitado

o fardo pesado

tributo pagado

E a morte por omissão

Valdene Mello

Val Mello
Enviado por Val Mello em 01/09/2018
Reeditado em 02/09/2023
Código do texto: T6436584
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