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Sonoridade

SONORIDADE

Este teu choro - pranto feliz dos caminhos -
pingando em mãos de quem te guarda companheira,
é o mesmo idioma que a terra tem na garganta
e sempre canta nas noites de lua inteira.

Cada botão, um ventre aberto à melodia
pra ser fecundo em alma branca ao tocador…
Juntando penas, suspiros, cisma e saudade
quando és metade pra o gancho do novo amor.

O teu cochilo - fole preso à cruz das horas -
benze o silêncio mais tardio da solidão.
E quando acordas, livra o mundo da vaidade
- sonoridade que me entorna o coração!

São tão antigas essas ânsias desmedidas
de já ser parte do teu corpo e teu instinto…
Ter-te em passagens - acredito - d’outras vidas
que estão perdidas naquilo que agora sinto.

Cheiras à ciúme frente ao olhar das guitarras…
E, ao mesmo tempo, com galhardia te afeitas.
Quão será pura a crença rude onde te agarras?
...que até nas farras, juras ser moça direita!

Todos os baixos - estrelas d’um céu amigo -
por onde os ventos fazem coro em voz trocada,
bebem do sumo mais crioulo e são castigo
à sede ingrata das tristezas extraviadas.

Então, cordeona… eu te bendigo na memória
num livro aberto ao testemunho do teu som.
Eu trago ausências pra curá-las de improviso,
quando preciso ser menor que este teu dom.
Matheus Costa Borges
Enviado por Matheus Costa Borges em 11/04/2019
Código do texto: T6620870
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Matheus Costa Borges
Dom Pedrito - Rio Grande do Sul - Brasil, 24 anos
20 textos (1287 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/11/19 19:48)
Matheus Costa Borges