Persistência

Sou cria do “35”

Onde cheguei, piazito,

Rengueando, no meu tranquito,

De marca mal descascada.

À mão do velho agarrada,

A minha tateava a História

Naquele templo de glória

Da tradição abençoada.

Ali, eu tive o prazer

De conhecer muito vaqueano.

Em tardes de minuano

Eles mateavam, charlando.

E eu, piazito, bombeando

As coisas que eles contavam,

Que tão fundo me tocavam,

Aprendia perguntando.

Muita gente, em Porto Alegre,

Naquele tempo peludo,

Ofendia o bombachudo

E a chinoca pilchada.

Diziam ser palhaçada,

Que era coisa de guaiaca.

Mas, com pouco, não se ataca

O entono da gauchada.

Surgem muitos cetegês

E a estância da poesia.

O “Grande Rodeio” reunia,

Pelo rádio, o nosso povo.

Só depois veio o retôvo

Da Califórnia Nativa.

E a Tradição se reaviva

Através de sangue novo.

Na cancha reta do tempo,

Hoje, a penca é diferente.

O gaúcho vem na frente

Cultivando o seu passado.

Mais orgulhoso e entonado

Que capataz de fronteira

Pois, hoje, a pilcha campeira

É traje oficializado.

E aí está como exemplo

Do que pode a persistência.

Hoje é comum, na querência,

Andar o povo pilchado.

É xirú embombachado

E prenda arrastando a saia.

No Prcão, na Rua da Praia,

É pilcha pra todo lado.

iberemachado@yahoo.com.br

(71) 9912-1197

Iberê Machado
Enviado por Iberê Machado em 09/02/2006
Reeditado em 29/06/2006
Código do texto: T109773