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Festa Brava

Festa Brava
De Cândido

O touro irrompe na arena
Vai começar a faena
Toda a praça está de pé
O touro enraivecido
Solta um tremendo mugido
E a gente grita: óóóllééééé!

Entra na praça um toureiro
Um bravo bandarilheiro
De barba rija e patilhas
Chama o touro em altos berros
E apontando-lhe os ferros
Crava duas bandarilhas.

Vem depois o matador,
Todo emproado: um senhor,
Com o capote e a espada.
Sob o riso das meninas
Vai fazendo chicoelinas
Com a besta já cansada.

Chega então o cavaleiro
Do alto do seu poleiro
De casaca azul dourada
Cumprimenta o inteligente
E depois a toda a gente
Faz uma vénia encenada.

Crava ferros bem ou mal
E o sangue do animal
Escorre pelo cachaço
E a gente em euforia
Dá gritinhos de histeria,
Bate palmas a compasso.

Entram depois os forcados:
Bando de desmiolados,
Pegando o touro a braço
Vão todos sobre o coitado
Ferido ensanguentado
Quase morto de cansaço.


Lá foi para o matadouro
O que restava do touro
Que delirou a ralé
E a gente de alma pequena
Atira flores pra arena
E grita de novo: óóóllléééé!

Estas touradas de agora
Lembram-me tempos de outrora
Dos impérios ruindo.
Das arenas dos horrores,
Das lutas de gladiadores,
E o povo se divertindo!

Cândido, 21/05/2008
Cândido
Enviado por Cândido em 28/06/2009
Código do texto: T1671729

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Sobre o autor
Cândido
Portugal
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