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GURI GINETE

Começou numa brincadeira
De montar em potro
E fincar as espora
Pra vê-lo corcoveando.

Apeava de um, montava em outro
Assim passava o dia
Arrancando crinas
E galopando sobre as cochilha.

Chegou o primeiro rodeio
O guri pronto pra genetear
Ele estava assustado
Mais queria ganhar.

Já na mangueira
Disparo seu coração
Enquanto pedia a nossa senhora
A sua proteção.

Quando foi montar
Pediram dando risada
É esse guri que vai ginetear?

Ele montou com garra
As espora firme no garrão
O tento trançado na mão
E na sua veia galopando a tradição.

Mandou larga o potro
Num grito de abre a porteira
Largo o mango no pescoço
E cortou com as rosetas.

Aquele matungo pulava
E ele esporeava o mango rodopiava
O guri se afirmava
Enquanto o potro corcoveava.

Foi num descuido que ele escorregou
E logo foi para o chão
E ele alevantou – se
Com chapéu na mão
Agradecendo com muita emoção.

Ele sentiu um arrepio
Quando toda a platéia aplaudiu
Ficou tão emocionado
Que até do seu olho
Uma lagrima saiu.

Carregava dentro da copa do chapéu
A imagem de nossa senhora
Para que ilumina-se
Pela vida a fora.

Mais rodeio se passava
Ele sempre campeão
Mais não esquecia de agradecer
A Deus e nossa senhora
Pela sua proteção.

Passeava na sua potranca
Quando ele avistou
Uma prendinha moça
A qual se apaixonou.

Chegou para a prendinha
Pegou sua mão
Seus olhos me tocaram
Lhe dou meu coração.

Suba logo prenda linda
Vamos fazer um ranchinho
E viver bem juntinho
Para depois nós se casar
Na capela de São Benetido.

Mais antes quero ir
Para meu ultimo rodeio
No estilo bem campeiro
Chapéu quebrado na testa
Bombacha estreita
Na espora um papagaio grande
Pra ficar enorme as rosetas.

Montou com tanta firmeza
Que parecia que ia ganhar
Mais sentiu algo no coração
Como dizendo: NÃO VAI
O guri ficou assustado
Mais já tava montado
E não ia voltar.

Mandou larga o potro
Do jeito que ele mandava
ABRE A PORTEIRA
E ficou as espora.

O potro a cabeça abaixou
O guri se assustou
Mais a roseta novamente ficou
Com o mango o pescoço acertou.

Naquele único pulo
O matungo o derrubou
E ao cair no chão
O potro com um coice o acertou.

Sem quase respirar
Sem poder alevantar
Deitado no chão
Com muita dor no coração
Já perdendo a noção.

Todos que ali estava assistindo
Alevantaram assustado
E se perguntando
Será que o guri se machuco?

A prendinha saiu correndo
Mais ao chegar se assustou
Vendo um buraco no peito
No qual a patada acertou.

A prendinha puxo-lhe
Contra o seu peito
Gritando desesperada
O guri sua cabeça ergueu
Com um beijo agradeceu
E com a voz já fraca
Lhe falou:
Vou sempre te acompanhar
Lá junto com Deus.

Já não agüentando mais
Deitou novamente
Fechando os seus olhos
O guri morreu no seus braços.

Heberle
Enviado por Heberle em 03/02/2007
Código do texto: T368198

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Sobre o autor
Heberle
Pato Branco - Paraná - Brasil, 30 anos
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