Lago Gelado

Rompe-se a superfície,

afundo.

Abaixo do que é branco e

uniforme.

Lago gelado.

Uma força muito maior

me pressiona,

Pra longe da claridade.

Sinto-me desesperada.

Num lapso instintual,

nado para retornar

à superfície.

Impossível.

Nunca se retorna para

a fenda que há pouco

foi aberta.

O desespero aumenta,

Me debato no gelo em vão.

Ninguém me ouve.

Não tenho força suficiente

para abrir caminho pra saída.

Sinto lentamente meu sangue

congelando.

O coração descompassado,

cada vez mais lento.

Meu cérebro não responde

mais.

Meu corpo resistente,

não resiste mais.

E, afunda.

Minha última visão é,

a luz da superfície,

Afastando-se.

Leila Brito
Enviado por Leila Brito em 07/04/2005
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